sábado, 22 de outubro de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Onze

Duas Chamadas
(18/11/1981)


Passaram-se três dias. Sadie não podia ligar pois ele não estava mais em Los Angeles. Ela acordava entristecida, porque não tinha notícias de Randy. Nem sua família sabia de seu estado, se a banda estava descansando em lugares apropriados e confortáveis, se a comida era boa, se os shows estavam esgotados e se havia diversão apesar dos problemas que poderiam surgir.

Um cheiro agradável no apartamento fez a sensação alvitante minguar. Era Johny na cozinha, revelando-se um ótimo chef. Ao escutar um enérgico "Café na mesa!", Sadie deixou seu quarto e deparou-se com um prato de ovos mexidos acompanhados de bacon e salada de maçã e banana para equilibrar a refeição. O hóspede se orgulhava do trabalho com os elogios que recebia:
_ Minha nossa, Johny! Onde você aprendeu a fazer uma comida tão boa?
_ Antes de me enxotar, vovó me ensinou umas coisas.
_ Ainda não entendo porquê ela te expulsou. 
_ Ela é bem tradicional. Deve ser difícil ter um único neto homem... e diferente.
_ Você encara isso como se você fosse uma aberração. Perto de mim não precisa se preocupar.

De repente, batidas frenéticas ecoavam da porta da frente. Desavisado, Johny apressou-se para abrir. Era tarde demais para Sadie impedí-lo. Valentina irrompeu no cômodo principal como um tiro de revólver:
_ Ué?! Johny?
Em menos de cinco segundos, a menina decifrou a cena da forma que lhe foi mais óbvia e conveniente, para o azar de todos:
_ Sadie, o que ele está fazendo aqui? Oh, não... vocês dois...
_ Nós dois nada! - gritou Sadie. - Sou eu e só eu, ele e só ele.
_ É só até eu achar um lugar para morar. - manifestou-se Johny.
_ E ninguém me fala nada!

Sadie teve de explicar toda a história não só à caçula, mas também à Hope. Felizmente, não houve reclamações. A irmã mais velha também quis saber se ele tinha emprego, já pensando em contratá-lo como vendedor na "Loud":
_ Ele adoraria! - Sadie exclamou. - Mas ele não tem prática como vendedor.
_ O que ele anda fazendo?
_ Jonhy trabalha no petshop que fica algumas quadras do condomínio.
_ De qualquer modo, avise se ele tiver interesse.

Ainda antes da loja fechar receberam uma visita dos pais, que nada gostaram de saber que Sadie passou a dividir o apartamento com um rapaz desconhecido a eles. Perguntaram o quanto ela cobrava pela estadia do hóspede, com o dinheiro ela poderia ter uma "vidinha menos medíocre". A jovem desviou o olhar para qualquer direção que não fossem os olhares de seus familiares, e se dirigiu para a saída.


Uma sopa a estava esperando quando ultrapassou a porta. A primeira coisa que Jonhy notou foram as expressões aturdidas da amiga. Ela se sentou silenciosa, e apenas brincava com a colher, enquanto remexia os cabelos:
_ Sadie, seu prato vai esfriar.
_ Me desculpe, perdi a fome. Contei à minha família sobre você.
_ Eles desaprovaram, não é mesmo?
_ O apartamento é meu, nele mora quem eu quiser. - Sadie respirou fundo, encarando a sopa. Ela sabia que Johny ansiava por sua opinião. - Estou cansada da minha vida. Preciso dar um tempo daquela gente.
_ Ficar sem comer não vai adiantar muita coisa agora. - o argumento final a venceu.

Às 9 da noite, enquanto Sadie tomava uma ducha, o telefone soou. Johny, que arrumava seu colchão na sala de estar, desfez tudo ao prensar seus pés nos lençóis.
_ Alô!? - vocalizou, esperando alguns segundos antes da resposta.
_ Eu...err...Eu gostaria de falar com Sadie Bunker. - disse uma voz calma e despolida.
_ Ela está ocupada agora. - Johny respondeu, abstraído da identidade do telefonista. - Quer deixar recado?
_ Eu não posso demorar muito, estou ligando de longe.
_ Ela realmente não pode atender. - Jonhy não conseguia ver se Sadia havia saído do banheiro.
_ Obrigado, desculpe o incômodo. - despediu-se, com tom de desapontamento.

Quando Johny finalmente terminou de arrumar seu colchão, Sadie apareceu e ele lhe contou o ocorrido. Havia certa ironia em sua voz, já que não se deve ligar para alguém tarde da noite. Ao imitar a voz do estranho,  a moça teve ainda mais certeza que era Randy tentando se comunicar de algum lugar da Europa. Ela se desesperou, mas não podia culpar Johny, totalmente por fora da situação.

No dia seguinte, Johny saiu cedo para trabalhar, e Sadie ainda estava em casa. Ao se arrumar para o serviço, ela se imaginou no lugar do distante namorado. O que Randy poderia ter pensado ao escutar não a sua, mas a voz de outro homem? A dúvida se instalou, "Ele deve achar que eu o traí".

Á tarde recebeu na 'Loud' uma visita surpresa de Kevin DuBrow. Ele tinha uma nova banda, e continuava tocando músicas da falida Quiet Riot nos bares e clubes da cidade. Percebia-se que nada havia mudado financeiramente. Dependia do cachê de cada apresentação para viver e pagar o aluguel. Ele veio por um espaço no mural de divulgação de eventos, na porta da loja, e também para matar a saudade de Sadie. Ela lhe contou sobre sua relação com Randy, e antes de sair Kevin deu a notícia de que o casamento com Jolie tinha que esperar por um momento mais apropriado. "O dia em que eu colocar a mão no bolso e encontrar umas notas sobrando".

Hope atendeu a um telefonema. Afobada, chamou:
_ Sadie! Uma tal de Sharon Arden quer falar com você!
_ Oh, meu Deus! - ela disparou, e agarrou o telefone.
_ Sadie? Está aí?
_ Estou bem aqui.
_ Bom, é o seguinte: Ontem Randy manifestou desejo de ter você conosco e hoje cedo não tocou mais no assunto. Depois ele contou que ligou para seu apartamento. O que houve?
_ Sharon, ocorreu um grande engano. Este cara está morando no meu apartamento porque foi expulso de casa. - Sadie terminou a sentença num sussurro.- Ele é gay.
_ Pobre Randy... está tristonho. - a voz da empresária era sincera.- Temos que resolver isso! Se achar conveniente, posso te colocar num voo para Londres dia 5 do próximo mês.
_ Eu aceito.
_ Ótimo! Ligarei mais vezes.
_ Não sei como agradecer, Sharon. Diga a Randall que eu o amo.

Mais uma vez, a vida de Sadie passaria por turbulências. Hope exigia saber quem era a senhoria Arden, o que ela queria, para onde sua irmã iria. A única coisa que Sadie tinha certeza era que ninguém a impediria de seus planos.


Graféas

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Dez

Arrumando as malas
(08/11/1981)


Inspirado no bom exemplo de convivência em família do namorado, Sadie resolveu sair para passear com Valentina, Hope, George e a pequena Theresa. Fizeram uma pausa em uma sorveteria, onde Hope aproveitou para revelar seus planos de reforma da loja de discos. Ela queria melhorar o aspecto visual do estabelecimento, repintando as paredes, mudando a decoração externa, ampliando corredores e prateleiras. Hope também chegou à conclusão de que precisava de mais funcionários:
_ Implantarei aquele sistema de pontos. Assim eu ponho você na linha, senhorita Sadie.
_ Eu?
_ Sim. Sem este trabalho, você não tem mais nada para fazer...Ou está achando que você e Randy ficarão juntos por tanto tempo? E que ele vai te sustentar? - repreendeu a irmã mais velha.

Ninguém era capaz de imaginar o sofrimento que trariam à Sadie. Hope não era uma pessoa má, mas acreditava piamente que Randy abandonaria sua irmã o mais breve possível. Ela queria apenas protegê-la dos males do mundo. Valentina por sua vez, não zombou da situação. A caçula gostava de Randy, apesar de atrevida e inconveniente:
_ Essas mudanças levariam quanto tempo?
_ Valentina, querida, se meus planos derem certo, em Dezembro teremos capital suficiente para as mudanças, e em Março teremos nossa reinauguração! - Hope estava orgulhosa.

Sadie sentiu-se arrasada só de imaginar. Ela precisava do trabalho, mas tinha medo de não conseguir encontrar Randy durante seus dias de folga. Seu bom humor acabou por murchar. Como poderia melhorar seus relacionamentos familiares sendo que sua única alternativa seria sacrificar o que lhe fazia mais feliz?

No dia seguinte, a "Loud" passou a promover uma série de medidas para levantar o dinheiro necessário para a reforma desejada. Abriram um espaço para anúncios de apresentações em bares da região. Isso cobrou um esforço maior maior de Sadie e também de Valentina, fazendo-a diminuir drasticamente o tempo que tinha com seus amigos fora da escola. Ela tinha todos os direitos de reclamar pois, não recebia pela constante ajuda.

Durante à noite, o trio feminino foi abordado por Johny, há algum tempo sumido. Ele estava visivelmente atordoado, cabisbaixo. Estranhamente, pediu que Sadie o acompanhasse numa volta pelo quarteirão.


Os supiros do homem eram pesados. Sadie, num gesto de consolo, tomou uma de suas mãos:
_ Minha avó me expulsou de casa. - contou Johny.
_ Por que ela faria isso?
_ Oh Sadie, você nem sabe quem realmente sou.
_ Não sei?
_ Acho que nem eu sei. - eles se entreolharam.
_ Johny, o que aconteceu?
_ Você é a única pessoa em que eu confio para dizer isso... - ele parou de andar. - Não me interesso muito por mulheres.
_ Isso faz de você gay?
_ Quero dizer, não qualquer mulher.
_  Bissexual?
_ Estou confundindo sua cabeça. Não devia ter dito isso.

Johny quis correr, mas Sadie o impediu:
_ Johny, espere! Você foi expulso por causa disso? - ele assentiu, tristonho:
_ Não tenho onde dormir.
_ Pode ficar no meu apartamento, não me importo.
_ Muito obrigado. - respondeu surpreso. - quaisquer que sejam as regras, farei de tudo para cumprir.

Sexta de manhã Sadie ajudou Johny a mudar seus pertences e foi trabalhar. Durante o almoço, o telefone da loja tocou. Era Randy desculpando-se por não ligar mais cedo. O assunto era de grande importância:
_ O que houve?
_ Sharon agendou shows e vários festivais na Europa para finalizar a turnê. Estamos arrumando nossas malas.
_ O quê?! - o tom desesperador chamou a atenção de Hope. - Quando vocês vão embora?
_ Ah... em 4 dias.
_ Tão cedo...
_ Escute, não fique triste. - Randy tentou consolar. - Vou buscá-la e assim conversaremos melhor.

Hope a abraçou apertado. Queria muito que sua irmã entendesse seu raciocínio, que aquela paixão iria acabar. Obviamente, Sadie nunca consideraria essa hipótese. Poucas horas depois, Valentina chegou à loja e foi seguida por Rhoads:
_ Obrigada pela carona, Randy.
_ Muito bem mocinha, vá para o caixa. - pediu Hope. - e obrigada Randy.

Sadie correu para os braços do namorado, que a recebeu com carinho. Hope tentava manter seus pensamentos no lugar mas a cena a comoveu. Ela não conseguia ser durona, e acabou liberando Sadie. Mais uma vez, o destino era a casa do guitarrista.

Pela primeira vez, Sadie imaginou como seria sua vida em um ano, talvez dois. Ela  presumiu que àquela altura, seria esposa de Randy, e o casarão seria seu lar. Esse sonho estava ameaçado pela breve partida e devido as planejamentos visionários da irmã. Randy também tinha seus receios. Sua vida nunca havia mudado tanto em tão pouco tempo. Ele sentiria mais saudade de Sadie do que qualquer outra pessoa.

Durante à noite do mesmo dia, o músico improvisou, pela 'milésima' vez, pijamas para sua garota. Enquanto ela se trocava, dirigiu-se ao seu cômodo preferido, a saleta com a melhor vista da cidade. Abriu a janela, travou-a, e acendeu um cigarro. Sadie seguiu a brisa e o odor de nicotina. Se aproximou cautelosamente para não estragar o clima de relaxamento à sua frente. Aos poucos os dois se envolveram num abraço.

_ Por quanto tempo você ficará fora? - perguntou Sadie, com os olhos esbugalhados.
_ Eu não faço ideia... - ele deu uma baforada.
_ Droga. O que Sharon planejou exatamente?
_ Vamos terminar a turnê 'Blizzard Of Ozz' com festivais na Inglaterra, Alemanha, e França. Depois ensaiaremos o material do novo álbum, Diary Of A Madman... aí voltaremos a fazer shows e mais shows.
_ Eu queria ir com você.
_ Eu também ... você adoraria a Europa. - Randy ficou pensativo. - Se ao menos Sharon desse um jeito...

Graféas

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Nove

"Você está sempre por perto"
(06/1977)


Era apenas uma garota de 14 anos. Tinha maquiagem puxada, enchimento de papel e bota de salto para aumentar a idade. Usava uma calça preta colada e a blusa era uma bata vermelha bem longa. Era noite, e hora de sair para se divertir na cidade, assistir shows em clubes com os amigos. Apesar do veto da mãe, a regra paterna era clara: ela poderia fazer o que quisesse, desde que tirasse notas boas na escola.

De repente, uma menininha de camisola e pantufas aparece em um canto e desce as escadas da casa. Ela segurava uma boneca de pano e invadiu o banheiro onde a moçoila se arrumava:
_ Você não pode sair!
_ Valentina, vai dormir. - Sadie derrubou o blush.
_ A mamãe não gosta quando você sai de noite. - respondeu, aflita.
_ Mas o papai deixa. Agora, vá dormir.
_ Mamãe! - gritou.

Ginna Bunker atendeu ao chamado e surgiu diante das duas. Após relembrar o limite de horário, pegou Valentina pela mão e retornou ao andar superior da residência. Sadie aguardou alguns segundos antes de sair correndo para a porta. Com passos cautelosos ela se distanciava cada vez mais do seu quarteirão de origem. Um ruído de motor chamou sua atenção. Um veículo vinha se aproximando à frente. 

Os faróis foram abaixados e a buzina do Fusca negro soou. Ansiosa, Sadie entrou no carro e sorriu:
_ Tome cuidado com os cabos e o baixo do Kelly. - avisou Drew Forsyth, antes de cumprimentá-la com educação.
_ Olá Drew e Kelly. - os dois se sentavam nos bancos da frente. - Onde está o kit de bateria?
_ No porta-malas.
_ Vocês a enfiaram lá como?
_ Calma, Sadie. O máximo que pode acontecer é quebrarmos o kit e perder o show de hoje. - Kelly Garni deu um soquinho no ombro do baterista, que fez uma careta.

A banda Quiet Riot não possuía equipe de som. Os próprios integrantes montavam e verificavam tudo sozinhos. Kelly, Drew e Sadie passaram pelos fundos do clube noturno e adentraram o pequeno palco, oculto por cortinas escuras. Lá finalmente se juntaram ao resto da turma: Kevin DuBrow, Randy Rhoads e a namorada dele, Jolie. O cantor foi o primeiro a aclamar a presença da convidada:
_ Sadie! - Kevin gritou, levantando-a. - Gostei do visual.
_ Obrigada. - respondeu, acenando para Jolie. - Onde está Randy?
_ Acho que... no carro!


A garota saltou para fora e logo avistou o velho GTO cinza. Porta-malas aberto, portas escancaradas, faróis acesos e um rapaz de cabeleira longa e muito lisa segurando um cigarro. Ele alisou uma parte dos cabelos atrás de uma orelha e puxou fumaça para dentro. Só aí Sadie se aproximou mais. Randy trajava uma combinação de colete rosa com bolinhas brancas, gravata borboleta e calça boca-de-sino da mesma cor de base.

_ Está precisando de algo? - ela perguntou baixinho.
_ Na verdade, sim. - Randy se levantou. - Tenho que levar minha guitarra e amplificador, mas tenho medo de deixar o carro sozinho e... - ele parou de falar.
_ Quer que eu leve alguma coisa?
_ Gentileza a sua. - disse, entregando cuidadosamente a caixa de sua guitarra Les Paul.

O guitarrista retirou o amplificador, trancou o carro e acompanhou-a:
_ Sabe, você está sempre por perto.
_ O que isso quer dizer, Randall?
_ Sendo a mais nova de todos, você poderia se interessar por outro tipo de gente.
_ Eu não poderia ter uma turma tão divertida como essa.
_ Hum. - ele murmurou, antes de sorrir.

Sadie estava relativamente surpresa naquele momento. Eram raras as vezes em que conversava com Randy abertamente. Ele costumava levar a relação professor-aluno muito a sério. Ensinava todas as quartas e sextas violão e guitarra acústica à menina. Além disso, a dupla era a mais quieta do grupo, embora Kevin despertasse um espírito brincalhão e piadista no loiro.

Jolie e Sadie escolheram um espaço próximo ao palco e assistiram ao show. Os quatro rockeiros deram tudo de si e divertiram a plateia. A bateria era presente e pulsante, o baixo preciso, a guitarra fascinante, o vocalista animadíssimo! Uma performance cativante. Ao final, aplausos vinham de todos os lados imagináveis. A banda agradeceu e sorriu debaixo do único holofote.

Depois da apresentação, as convidadas ajudaram os músicos sonhadores a guardar o equipamento.
_ Acho que minha roupa rasgou... - Drew exibiu uma coxa, comprovando a afirmativa.
_ Nós detonamos! Vamos sair e tomar umas cervejas! - berrou Kevin, sem camisa.
_ Eu topo! - disse Kelly.
_ Tenho que ir para casa. - Sadie se encolheu.
_ Eu também. - denunciou Jolie.
_ Fica para outro dia, estou exausto. - Randy enxugava o suor do rosto. - Vou levar as meninas e cair na cama.

Randy dirigiu com o rádio ligado, comentando que mal podia esperar para ter atenção das gravadoras, escutar as músicas do Quiet Riot pela cidade, ver seu álbum em todas as lojas, e outras 'zilhões' de coisas que toda banda esforçada merece. Randy investia seus sonhos e acreditava que eles teriam êxito. Randy Rhoads queria viver de música.

Kelly; Drew; Kevin; Randy
Graféas

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Oito

Kelle e Kathy
(06/11/1981)


A senhora Delores Rhoads era mãe de três crianças, que criou sozinha. Kelle, o mais velho, se tornou professor de música e piano clássico. Kathy, a irmã do meio, se casou com o dono da empresa vinícola D'Argenzio, passando a trabalhar no ramo. Randy era o caçula e eterno bebê da família. Os três eram muito unidos e cresceram sem uma figura paterna. 

Os pais de Sadie sempre viveram harmoniosamente bem. O emprego de bancário de Paul sustentou tranquilamente sua mulher Ginna, e as necessidades das três filhas geradas. A família Bunker era conhecida por ser disciplinada, educada, perfeita. Só nas aparências. No fundo, Sadie tinha ciúmes da família Rhoads. Eles eram mais afetivos e confiavam mais uns nos outros.

Randy combinou um piquenique no final de semana. O programa contaria com a presença de seus irmãos e Sadie se apresentaria oficialmente como sua namorada. O local seria um parque no bairro onde tinha nascido, Burbank, nas proximidades de Los Angeles. Eles se encontrariam previamente na escola Musonia, onde Kelle dava lições de canto no momento, e aguardavam Kathy chegar com sua filha de apenas um ano, Breanna. Randy era apaixonado pela sobrinha. Enquanto não chegavam, ele decidiu fazer outra sessão acústica com Sadie:
_ Você leva esse violão para todo lado. - Ela disse, enquanto o músico ria.
_ Vamos para minha sala, lá tem outro para você tocar.
_ Com você não tem graça! - brincou.
_ Por quê?
_ Randall, você é mil vezes melhor do que eu.
_ Não existem músicos melhores ou piores. - ele segurou uma das mãos da acompanhante e os dois se dirigiram à sala.

Cerca de quinze minutos de improvisos e pernas roçando umas nas outras, escutaram Kathy no corredor e terminaram a sessão. Em certo momento, Kelle e a outra irmã chegaram à porta da sala , alegres, esperando um abraço. Randy pegou a pequena Breanna no colo:
_ Lembram da Sadie?
_ Vocês terão aulas de novo? - indagou Kelle.
_ Ah, mais ou menos.
_ Todos prontos para o piquenique? - Kathy estava animada.

Randy mexeu a cabeça, sinalizando que sim. A bebê gargalhava, puxando seus cabelos loiros. Kelle infelizmente não participaria do plano, tinha mais compromissos com o trabalho. O jeito era contar a novidade apenas à Kathy, que repassaria a quem fosse necessário apenas.


A grama do parque era verdinha e baixa. Um lençol quadriculado clássico fora estendido e recheado de petiscos. Os três colocavam a conversa em dia, e Randy acariciava discretamente os ombros da namorada. Ele só precisava escutar uma pergunta. De repente, Kathy exclamou:
_ Onde está Breanna?
_ Lá. - Sadie apontou. A pequena cambaleava pela grama, não muito longe de onde todos estavam. Kathy se levantou e foi buscá-la.
_ Como ela não vê? - Randy não aguentava mais.
_ Por que não conta logo?
_ Não é tão fácil quanto parece, Sadie.

Quando Kathy voltou, Randy e Sadie estavam levianamente mais próximos, quase abraçados, cochichando. Ela tinha a ideia de que os dois formariam um casal em sua cabeça, e haviam evidências claras o bastante para confirmar sua hipótese:
_ Então, vocês estão juntos. - ao escutar, Randy ficou vermelho. - Ora, Randy, vocês não precisam se envergonhar. Desde quando?
_ Desde que ele voltou.
_ É complexo. - o guitarrista adicionou.
_ Vocês dois são uma graça... por que não jantamos com mamãe para comemorar? Sadie é parte da família agora.

À noite, a casa da senhora Delores estava relativamente cheia. O jantar saciou os ocupantes de todas as sete cadeiras, incluindo Kelle e o marido de Kathy, Raymond. Logo que Breanna caiu no sono, a residência foi se esvaziando, até sobrarem apenas Randy e Sadie. A super mãe chamou a convidada para ajudá-la com as louças, enquanto o astro musical assistia televisão. Com uma ponta de ansiedade, ela atendeu ao comando e se dirigiu á bancada da pia. Com um pano, foi secando cada prato, cada copo.
_ Meu filho diz que está feliz. Ele diz que é por sua causa. - Sadie estremeceu e continuou a escutar. - Gostaria de saber se tem certeza da sua escolha, em relação a ele.
_  Senhora Rhoads, eu amo Randy. Amo muito.
_ Espero que sim.

Delores queria apenas que seus filhos vivessem uma boa vida. O jantar e a conversa ajudaram a clarear seus  pensamentos sobre Sadie. Havia uma grande diferença entre o amor verdadeiro e fanatismo exacerbado. Randy não entendia o motivo da divergência das duas e ainda mais o fato de Sadie se sentir intimidada. Ela era precisamente a única pessoa que não se relacionava bem com Dee, assim apelidada por todos que a adoravam.

Eram 10 da noite quando finalmente chegaram ao casarão do guitarrista. Sadie mais uma vez pegou uma blusa emprestada para usar como pijama. Randy estava sentado em sua cama, com um papel e lápis na mão, compondo. Sadie estava à beira da porta, usando nada mais que sua blusa e peça íntima:
_ Precisa de mais alguma coisa? - indagou Rhoads, observando-a.
_ Na verdade sim.
_ Diga.
_ Preciso de você, Randall. - ela provocou, caminhando em direção a ele.

Randy puxou-a para um lado da cama e debruçou sobre ela. Pareciam duas crianças à medida que rolavam e gargalhavam. O tipo físico magrelo de Randy não incomodava nem um pouco. A cada toque eles se tornavam cada vez mais inseparáveis. Suas almas tornavam-se apenas uma. A mágica que acontecia ali era cega, era uma paixão genuína.


Graféas

segunda-feira, 27 de junho de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Sete

Let's get wild tonight
(30/10/1981)


De repente, as ruas de Los Angeles começaram a ser cobertas por abóboras customizadas. O feriado de Halloween teve seu início,  preenchendo a cidade com famílias inteiras enfeitando as vizinhanças. No centro, as luzes das edificações ganharam cores diferenciadas e os parques também foram adaptados ao clima sinistro que estava no ar. Percebia-se um movimento intenso nas confeitarias e lojas de guloseimas. Aquele ano seria bom para as crianças, ansiosas para atacar com suas cestas e preparadas para possíveis travessuras.

Na manhã seguinte, uma caixa de doces foi deixada à porta de Sadie. A assinatura dos pais vinha de uma foto, e não de um bilhete como era de se esperar. No registro ela devia ter uns dois anos. Usava um vestidinho de cetim, a franja estava torta e suas expressões eram chorosas. Ela não sabia ao certo se aquilo era um presente ou um aviso de que não era ignorada na escala que imaginava. Mais tarde, Hope sugeria incansavelmente um jantar caro num restaurante e de convidados, ela, o marido, a filha e Valentina apenas.

Valentina, curiosa como sempre, pressionou a irmã até arrancar seus verdadeiros planos de suas entranhas. A tortura tinha um sabor inenarrável para a caçula.Descobriu que na verdade, Sadie iria ao show de Ozzy Osbourne à noite. Ela suplicou para que Hope não ficasse sabendo. Depois do episódio de abandonar o trabalho para comparecer ao ensaio da banda, sua aprovação por Randy foi reduzida ao tamanho de uma noz.

No início da tarde, Sadie recebeu dois telefonemas, de Kelly Garni e Drew Forsyth. O baixista e o baterista, respectivamente, formavam o grupo Quiet Riot junto a Randy e ao antes mencionado Kevin DuBrow. Algumas memórias foram revividas durante as ligações. Em suma, sua vida era assim: Sadie estudava e corria ao encontro da banda, todos os dias. O fato dos dois terem feito as ligações num espaço curto de tempo foi uma coincidência estranha. De todo o jeito, ela precisava daquelas lembranças hilárias para alegrá-la. Como o dia em que os quatro rapazes resolveram trajar vestidos e pregar peças nas pessoas dentro de um estúdio.


(Trágico: Randy rodando bolsinha.)
Algumas horas depois foi a vez do interfone do condomínio tocar. O porteiro foi direto:
_ Tem uma pessoa querendo ver você.
_ Essa pessoa tem nome?
_ Ela...ou melhor...Ele! Ele diz que é Randall.
_ Deixe-o entrar.
_ Mas senhorita Bunker...
_ Apenas deixe entrar, e diga para não bater na porta.

Randy foi puxado com ferocidade para dentro. Caiu sentado no sofá da sala e foi recebido com amassos. Sadie se sentia felicíssima e quando se deu conta do que fez, deu espaço suficiente. Ele se recuperava do ataque:
_ Eu ia perguntar como você está.
_ Estou ótima!
_ Percebe-se. - Randy riu.
_ Está com fome? Posso fazer torradas.
_ Hoje você não precisa se preocupar com isso.
_ Oh, você se lembrou. - respondeu ela, em tom de ternura. - A que horas é o show?
_ 9 da noite, mas todos devem estar lá às 7.
_ Randall, ainda faltam duas horas. O que pretende fazer até lá?
_ Me diz você...
_ Acho melhor sairmos daqui. Minha irmã Hope mora bem em frente, e não quero que ela saiba.

Os dois ficaram no casarão montando miniaturas de trens até a limousine chegar. Era a primeira vez que Sadie entrava em um carro de luxo. A banda inteira estava lá dentro, conversando e bebendo. Porém, enquanto a maioria se saciava com metade de uma lata, Ozzy Osbourne já tinha entornado na garganta uma garrafa de gim. Sharon atirou outras duas pela janela do veículo, e ficou furiosa:
_ Você tem um show hoje a noite!
_ Foda-se. - Ozzy retrucou.
_ Bêbado fodido! Trate de se recuperar!
Ozzy Osbourne
Tentando ignorar o pequeno conflito, Sadie aproveitou o trajeto para conversar com o tecladista Don Airey. Ele era um rapaz simpático de sotaque puxado. Antes de chegarem ao local da apresentação, Rudy Sarzo promoveu um brinde aos seus 19 anos e a muitos outros que estariam por vir.

O palco não tinha nada de espetacular. Tudo foi planejado para que a atenção fosse voltada apenas para os músicos e as canções. O auditório era preenchido com cada vez mais fãs, impacientes, gritando por Ozzy Osbourne antes mesmo do show começar. Enquanto a banda esperava a chamada definitiva para subir ao palco, Randy e Sadie sentaram-se em um sofá. De uma bolsa enorme, ele retirou um isqueiro e um cigarro, e o acendeu. No colo dela foi posta uma caixinha de formato elíptico:
_ Você não vai abrir?

Sadie puxou uma corrente fina e dourada de dentro da caixinha. Muito surpresa, agradeceu:
_ Randall... não sei o que dizer. Onde achou?
_ Minha mãe que encontrou. Estava debaixo da cama do meu antigo quarto.
_ Isso ficou uns bons anos perdido. - ela comentou, enquanto Randy fechava o acessório em sua nuca.

 De todos os presentes, nenhum se comparou à performance da banda naquela noite. Uma energia sem igual dominou a todos que presenciaram o evento. Randy se destacava à medida que seus solos eram executados ao longo da noite. Evidentemente ele se esforçou de uma maneira sobrenatural para que seu trabalho saísse próximo da perfeição. Sadie passou a admirar Randy mais do que já fazia, ela o amava por seus atributos artísticos e além de tudo amava quem ele era por dentro.

_ Vamos para minha casa. - disse Randy, depois do espetáculo.
_ Não posso. Prometi não sumir. - Sadie lamentou.
_ Tudo bem. - os dois se beijaram. - Fica para outro dia.

A limosine deixou-a na porta do condomínio. Estava frio e ventava. Calmamente, chegou ao seu apartamento. Em uma parede, havia um quadro com uma pintura. Presente de Hope. Era um vaso com rosas amarelas, nos quais eram as preferidas de Randy. Valentina estava apagada em cima do colchão no qual costumava dormir. Sadie puxou os cobertores para aquecê-la e caiu em sua cama.Aos poucos, as memórias do show foram se resguardando. O escuro do quarto a envolveu, fazendo-a adormecer.



Graféas

segunda-feira, 13 de junho de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Seis

O Príncipe das Trevas
(26/10/1981)


Sadie despertou com o som irritante da campainha. Na porta do apartamento, como de costume, estava Valentina. Sua presença diária não chegava ser um incômodo tão grande. A caçula tinha seus motivos. Ela se tornava, a cada dia, mais independente.

O exemplo que tinha das duas irmãs era essencial para seu futuro. Assim como Sadie, Valentina queria liberdade de escolher seu destino sem pai ou mãe para atrapalhar, e almejava o sucesso que Hope obteve, também o fato de ser organizada. Quando esses pensamentos irradiavam em sua mente, a garota dava um jeito de maneirar sua conduta. O problema era que nem sempre ela se preocupava com essas coisas sérias.

_ Já foram 3 dias. 
_ De que? - Sadie perguntou.
_ Nunca ouviu falar da regra dos três dias?
_ Não.
_ Bem, quando se dorme com um cara... - Valentina selecionava suas palavras. - Se ele não ligar em três dias, ele não está afim de você.
_ Bobagem. Randall vai ligar. - ela afirmou.
_ Você não pode estar tão confiante.
_ Valentina, porque não vai pra escola? Vai acabar se atrasando.

No mesmo momento em que Sadie terminou a frase, o telefone começou a apitar. Num movimento reflexivo, Valentinha atendeu à chamada:
_ Sadie Bunker? - chamou uma voz densa.
_ Não acredito...
_ Alô?
_ Nada! - Valentina exclamou antes de entregar o aparelho á verdadeira remetente.

Houve um grande momento de silêncio antes de qualquer um dos dois ter coragem de soltar a voz. Foi o tempo que Hope precisou para "invadir" o apartamento e puxar Valentina pra fora. George estava descendo as escadas do bloco com Theresa no colo. Ele levaria a rebelde cunhadinha ao seu devido lugar, o colégio.

_ Randall?
_ Sadie. Tudo bem?
_ De certa forma. - a resposta o fez rir.
_ Hoje eu vou almoçar com Ozzy e a banda, e se quiser, posso buscar você.
_ Está bem. Eu topo.
_ Ótimo! - Randy respondeu, feliz.
_ Estarei na loja. - Sadie foi breve.

Aqueles poucos instantes fizeram com que o coração de Sadie batesse mais rápido, mais forte. O novo casal se encontraria mais um vez. Hope por sua vez, pediu que não fosse. Tinha medo do cantor Ozzy Osbourne dizer ou oferecer algo que ferisse sua moralidade. Sadie admitiu que também temia o polêmico vocalista, mas se Randy Rhoads podia conviver com ele, que mal faria em um almoço?

Passaram-se então, horas de trabalho. Colecionadores e outros clientes compraram e compraram. Até Johny apareceu para ajudar a dupla. O favor prestado fez Hope perceber que mais tarde não poderia suportar o movimento da loja com apenas Sadie. Porém, era algo a ser pensado. Talvez para o ano que estava por vir.

O relógio marcava 1:20 da tarde, e Johny avisou que não poderia ficar mais. Ele decidiu esperar Hope terminar seu almoço nos fundos para se despedir:
_ Me diz... quem é o cara misterioso com quem está saindo?
_ Pra que o interesse? - Sadie empurrou seu ombro de leve.
_ É que você parece mais feliz.
_ Johny, eu posso dizer que ele é bem humorado, gentil, divertido, bonito...
_ Sei sei, tudo o que uma mulher procura em um homem... bla bla bla.

Randy Rhoads estacionou seu GTO bem em frente à loja. Ele caminhou até a porta e acenou. Sadie acenou de volta, e lançou um olhar de paisagem. Johny se virou e forçou as vistas para observar o sujeito. Tinha vontade de rir, mas não fez nada. Antes que Sadie corresse para o encontro do namorado, foi puxada pelo amigo:
_ Ele é muito esquisito.
_ Seu bobo.

Randy lançou um sorriso quando Sadie finalmente se sentou. O carro foi guiado ao centro de Los Angeles. Enquanto paravam num semáforo, puderam se observar melhor:
_ Desculpa não ter ligado antes... - Randy disse, beijando-a.
_ Não se preocupe.
_ Estava ensaiando com a banda. Vamos fazer um show no Halloween.
_ Sério? - ela se surpreendeu.
_ Uhum... - sonorizou, acelerando o veículo.
_ Randall?
_ Sim?
_ Tem algo que eu deveria saber do Ozzy? - Sadie perguntou alguns momentos depois.
_ Bem, ele não é como você pensa que é. Não o tempo todo. - Randy riu. - Você vai adorar a Sharon. Ela é nossa empresária.

Randy logo estacionou, e acompanhou Sadie até a entrada do restaurante. Ele apontou a mesa certa, pediu que fosse na frente e aguardasse com a banda enquanto compraria uns maços de cigarro. A moça caminhou tímida ao local, e lá havia um grupo de quatro pessoas. Um era narigudo e alto. O casal era composto por um homem de barba mal feita e cabelos lisos e uma mulher de cabelos volumosos. Eram respectivamente, Ozzy e Sharon.


esquerda para direita: Randy;Ozzy;Rudy;Tommy

A quarta pessoa, que estava de costas se virou, revelando-se um conhecido.Rudy Sarzo era um cubano que havia se mudado para a grande Los Angeles em 1978, e um ano depois se tornou baixista da banda Quiet Riot. Randy Rhoads foi o responsável por sua contratação na banda do ex-vocalista do impugnado grupo Black Sabbath.

Ozzy Osbourne se apresentou logo depois:
_  Então você ja conhece 'Rudes'. Eu sou Ozzy, esta é Sharon e aquele é nosso baterista, Tommy.
_ E você querida, como se chama? - perguntou Sharon.
_ Meu nome é Sadie. - respondeu, quase sussurrando.
Ozzy se demorou numa risada:
_ Você é a garota do Randy! Ele fala de você.
_ Ele fala?
_ Sim. - confirmou Sharon, igualmente humorada. - Randy parece gostar muito de você.

Sadie se sentiu extremamente acanhada pelo relato. O cantor chamou o garçom, e pediu uma garrafa de licor e uma taça para a convidada, que recusou educadamente. Sharon deu um tapa no ombro do companheiro:
_  O que você quer docinho?
Antes que pudesse responder, o baterista Tommy se adiantou:
_ Traz uma coca-cola e dois copos.
_ Obrigada...
_ Não foi nada. - ele respondeu, inclinando o corpo pra frente. - Hey, Randy!
O loiro se sentou ao lado de Sadie e jogou uns cigarros para Ozzy.
_ Randy, sua namorada é linda. - elogiou Osbourne, exalando fumaça.

Rudy confessou estar supreso ao ver os dois juntos. O casal se encolheu, coagido, e ambos os amantes ficaram com as faces coradas. Randy deu uma risadinha enquanto direcionava o rosto para baixo, sinalizando a aceitação das boas críticas.

O diálogo entre Sadie e a banda perdurou por mais alguns minutos. O almoço fora divertido e cheio de casos da estrada. Por mais falante que estava, Ozzy tinha seus olhos avermelhados. Típicos de uma ressaca constante de álcool com drogas. A própria Sharon tentava não encará-lo muito.

Quando Sadie pensou que ia embora, Rudy acompanhou Randy e ela até o carro:
_ Aonde vamos?
_ Estamos indo para o local de ensaio. - revelou, ao jogar o toco do artifício à base de nicotina pelos ares.
_ Randy disse que você nunca teve a oportunidade de ir a um show como o nosso. - disse Rudy. - Você vai gostar de ver o que acontece antes da grande noite.

Os olhares preocupados de Sadie disseram tudo que Randy não queria ouvir:
_ Oh não...me esqueci do seu trabalho, Sadie. Você tem que voltar não é?
_  Randall, esqueça meu trabalho. Resolverei tudo depois.

A enamorada acompanhante adorou a experiência. Randy se saía bem em todas as canções, Rudy se divertia, assim como o resto da banda. Após o ensaio, o vocalista conseguiu arrastar todos para um bar nas redondezas. Ozzy ficou bêbado, causou discórdia e brigou com Sharon. Sadie nunca tinha escutado tantos palavrões em uma mesma frase. Randy avisou que isso era "normal", antes de convidá-la para passar a noite em sua casa outra vez. Assim foi o dia em que conheceu o Príncipe das Trevas.



Graféas

sábado, 28 de maio de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Cinco

Um novo dia
(23/10/1981)


Ás 7 horas da manhã, exatamente, Sadie foi deixada em seu condomínio. Ao entrar no apartamento, fechou a porta cautelosamente, e verificou seu quarto. Nenhum sinal de Valentina para seu alívio. Só a hipótese de encontrá-la por lá dava uma coceira atrás das orelhas. 

Enquanto lavava a louça, despreocupada, a porta do banheiro rangeu e bateu. Uma mocinha entrou então na cozinha, arrastando suas pantufas e com cabelo emaranhado. Estava de pijamas e esfregava bem os olhos. Ela então se sentou à mesinha e deitou sua cabeça entre os braços, ansiando por atenção. Sadie, ciente do que se passava, continuou de costas, sem olhar para trás.

_ Bom dia , Sadie.
_ Oh, bom dia Valentina.
_ Gostaria de se explicar? - Valentina afiou a língua.
_ Eu tenho que explicar alguma coisa?
_ Nós quase chamamos a polícia.
_ Relaxa, eu estava com... amigos.
_ Você tem algum? - pressionou.
_ Respeito que é bom, nada.

Valentina se levantou e chegou bem perto da irmã. Examinou seus olhos, expressões faciais e adereços corporais. O cabelo estava limpo, suas roupas um pouco abarrotadas, com resquícios de cheiro de chuva. O instinto investigativo da jovem era por vezes, assustador:
_ Você estava com Randy.
_ Teria algo de errado se eu estivesse?
_ Estava na casa dele.
_ Por favor, pare.
_ Oh meu Deus, você dormiu com ele!
_ Basta! - Sadie se descontrolou. - Não entendo como você consegue descobrir essas coisas.

Sadie se calou por um instante. Ela conhecia muito bem a caçula e tinha todos os motivos para temer o que ela podia fazer com informações tão valiosas. Só existia uma forma de coibir suas futuras ações e chantagens, usar as mesmas armas para extrair algo que ferisse sua privacidade:
_ Agora, é sua vez.
_ Minha vez?
_ É. Quero saber por onde andava na noite em que chegou aqui às 2 da madrugada.
_ Tudo bem, é justo. - a garota abriu a geladeira e pegou uma garrafa de leite. - Podemos dizer que passei por uma experiência similar à sua.
_ Desde quando? - Sadie estava surpresa.
_ Estou com um garoto há um mês. - disse, bebendo o conteúdo da garrafa sem constrangimentos.
_ Você só tem 15 anos... Olha aqui, se contar alguma coisa de mim e Randall, papai terá uma bela surpresa.
_ Papai não se importa com você mais.
_ Aposto que ele não gostaria de saber essas sujeiras da filha favorita.

Finalmente, Valentina entendeu o recado. Um acordo maldoso havia sido selado naquela manhã. Com raiva, ela terminou  garrafa, e deixou o apartamento. Era uma situação delicada, mas Sadie aos poucos lidaria com esses problemas. Em anos, ela nunca havia se sentido tão viva, tão corajosa. Estava cansada de direcionar tudo em prol de uma família que se afastava cada vez mais. Sadie queria encarar o mundo do jeito que sempre quis, sem ninguém palpitar em relação às pessoas que amava ou deixava de amar.



 Hope e a irmã do meio desceram a rua juntas para o trabalho. Por uma questão de respeito, Sadie contou que esteve com Randy Rhoads, mas tentou omitir ao máximo os momentos mais intensos da noite anterior. Estava, porém disposta a ouvir tudo que a primogênita Bunker tinha a dizer. Um sermão nada agradável de aceitar.

_ É isso mesmo que quer Sadie? Não devia botar tanta confiança nele.
_ Por que diz isso?
_ Ele pode te abandonar... igual fez com a antiga namorada dele. A fama muda as pessoas.
_ Hope, a fama muda as pessoas, mas não mudou Randall.
_ Se está certa disso...
_ E como estou!! - gritou ela.

Foi um dia muito bom para as vendedoras. Mais uma vez, cumpriram a meta estipulada pelos fornecedores. Ao final da tarde, o fluxo de compradores diminuiu e Hope teve tempo de fazer anotações, contas e um relatório. Sadie varria o assoalho quando a irmã avisou de um jantar na casa dos pais. A moça engoliu em seco, mas aceitou o convite. Fecharam a loja, e um comentário incomodou a nova enamorada:
_ Sadie, acho que vai me entender quando essa fase passar...

George Laurant levou sua mulher, filha e cunhadas para o jantar marcado. Sadie foi recebida pelos pais, Paul e Gina, com um pouco de desdém, mas aos poucos, seus olhos exibiam um certo tipo de alívio. Não eram olhares exatamente afetivos, se pudessem ser interpretados, diriam que ao menos Sadie não se tornou uma viciada, estava saudável.

O spaghetti foi servido, e a família estabeleceu vários diálogos.Alguns comentários eram sobre o aniversário de Sadie, em dia de Halloween. A senhora Bunker se orgulhou do trabalho na cozinha, pois o prato agradou a todos.

Durante a volta para casa, George dirigia tranquilamente. Hope decidiu insistir na ideia de comemorar os anos de Sadie, vetada durante o jantar:
_ Se você quiser, eu faço uma festinha só entre irmãs.
_ Não quero te dar trabalho... - respondeu, pensando se Randy se lembraria.
_ Você vai fazer 19.
_ Muita gente faz 19, ora bolas! - intrometeu Valentina.
_ Eu quero passar meu dia sozinha. Sem festa, sem nada.
_ Dane-se. - desistiu. - Todos nós sabemos com quem quer passar a data, senhorita Sadie.



Graféas

quarta-feira, 4 de maio de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Quatro

A Chuva
(22/10/81)


Enquanto o carro foi se movendo ainda mais para o oeste, as montanhas do bairro de Hollywood foram desaparecendo aos poucos. O sol do meio-dia brilhava no céu. Estacionaram para tomar um café e comer um pedaço de bolo. Os dois estavam sentados numa das mesas da calçada da lanchonete escolhida. Atravessando a rua com os olhos, Sadie percebeu uma banca de revistas e uma loja com letreiros enormes, Tix era o nome. Percebendo o olhar curioso, Randy a levou para dar uma olhada.

Sadie comprou no total 5 revistas de música. Todas elas haviam artigos relacionados a Ozzy e sua banda. Randy Rhoads era capa de uma delas, e isso o fazia feliz. Após uma turnê gigantesca e cheia de imprevistos, finalmente, seu talento estava sendo reconhecido. Antes de retornarem, Sadie avista um conhecido saindo apressado da loja com os letreiros chamativos. Rápida, pede um momento à Randy e corre em direção ao homem:
_ Johny! Espere! - gritou ela.
_ Sadie?! O que faz nessa parte da cidade? - respondeu ele, surpreso.
_ Eu? - hesitou. - Passeando...
_ Aquele cara do lado da banca está com você? Ele não tira os olhos...
_ Não! Aliás, nem sei do que está falando. - Sadie vocalizou.
_ Sabe sim. - pressionou Johny, rindo. - Abre o jogo.
_ Abre o jogo você! O que fazia naquela loja?
_ Nada de mais. - a pergunta desmoronou o sorriso brincalhão.
_ Então, eu também não tenho nada a explicar...Bom, preciso ir. Até logo Johny. - despediram-se com um abraço.

Sadie ainda queria saber qual era o lance misterioso da loja. Logo que entraram mais uma vez no GTO cinza, ela perguntou:
_ Randall, o que a Tix vende?
_ Bem, eles vendem convites para festas em clubs ou comemorações exclusivas. - Randy explicou calmamente. - Quem era aquele?
_ Um amigo. Toda semana compra um disco na minha loja. Eu tinha de falar com ele.

O momento de Sadie conhecer a casa estava bem próximo. O veículo rodou pela mesma rua,  em direção a uma subida extensa e vazia. O sol que cintilava amarelo foi encoberto por algumas nuvens durante o pequeno espaço de tempo que se passou. A residência se escondia atrás de uma lombada no trajeto. O queixo de Sadie só faltou cair. Era um casarão lindo. Pintura bege, janelas brancas e teto azulado. Pena que a beleza da construção fora ofuscada por um céu crescentemente nublado.

(simulação, percebe-se aliás, que o céu NÃO está nublado)

Randy mostrou-se contente com a reação. Ele também estava surpreso e feliz pelo fato de realizar o sonho da residência própria. O que faltava apenas, era por mais gente lá dentro. A casa existia no intuito de abrigar seu futuro e seus desejos, como família e sossego. Seu trabalho com Ozzy Osbourne, infelizmente, tomava todo o seu tempo.  Randy sempre adorou seu trabalho. Tocar guitarra era o ar que respirava, mas já estava na hora de correr atrás de outros sonhos, um deles era ter um diploma.

O GTO ficou na garagem, e a excursão começou. Primeiro o jardim, localizado atrás da casa. Grama escura,  canteiros de tulipas e de rosas amarelas, suas favoritas. Cadeiras estavam alojadas ao lado de uma pequena área de churrasco. Depois, deram a volta e finalmente passaram pela porta da frente. A sala de estar era ampla e coberta por uma madeira clara. As escadas eram do mesmo material, e ficavam rentes á uma das paredes. Do outro lado, dois sofás estavam organizados diante de uma televisão, e o meio abria caminho para outros cômodos.

Randy mostrou a cozinha, citando as poucas peças que faltavam, um banheiro e uma sala onde planejava montar o próprio estúdio, Por enquanto, o local servia para guardar documentos e sua coleção de miniaturas de trens. Andar de cima. Mais dois banheiros, um no corredor e outro dentro do quarto principal, onde o guitarrista dormia. A aparência, por si só já era aconchegante. Além deste, haviam outros três quartos. A vista da janela de um deles dava exatamente para o centro da cidade, e era o lugar preferido de Randy. Os outros ainda não tinham planejamento algum.

Conforme passava o tempo, o céu se fechava ainda mais. O certo seria que Sadie fosse embora, mas ela não tinha intenção nenhuma de ir, pois sua sensação de admiração estava fora de controle. A última coisa que queria fazer era voltar para seu condomínio, para um cubículo indigno de ser chamado de lar:
_ Randall. - ela chamou.
_ Sim?
_ Eu vi um restaurante oriental no caminho. Poderíamos...
_ Vou pegar o telefone já. - interrompeu. Randy era louco por comida chinesa.
_ Não, vamos a pé.
_ E a chuva?
_ Teremos tempo.

Engano o dela. A descida era muito mais longa do que aparentava. Mal iniciaram a caminhada e gotas enormes de chuva começaram a pingar por suas cabeças. Randy segurou Sadie, mostrando a negritude das nuvens. Um temporal estava prestes a cair:
_ Será que dá para voltar?
_ Só vamos descobrir tentando. - Randy apertou a mão da acompanhante e os dois começaram a correr para a casa.

A dupla ficou ensopada. Sadie ficou tão encharcada que a entrada principal se tornou uma poça cada vez maior, à medida que a água escorria de suas vestes. Estava se sentido estúpida e envergonhada pelo episódio:
_ Droga, não posso aparecer em casa assim.
_ Sadie, você precisa de roupas secas, senão pode ficar doente...
_ É mesmo. - ela pensava numa alternativa. - Posso tomar um banho?
_ Claro! Eu te empresto um roupão e alguma coisa que te sirva. - o loiro ofereceu.

Randy rapidamente, preparou uma banheira quente em um dos banheiros do andar de cima, enquanto ele mesmo tomaria uma ducha no banheiro de seu quarto. Estranhamente, ele não parecia se importar com a situação, mas no fundo sentiu curiosidade quanto às características físicas íntimas de Sadie. Ela, por sua vez, ainda não podia acreditar onde estava. Era difícil distinguir se ficava grata pela generosidade de Randy ou se deixava dominar pelo receio de milhões de pensamentos.

Randy então bateu à porta de onde Sadie se banhava. Havia esquecido de deixar à disposição as toalhas que tinha prometido. Sadie se encolheu e permitiu a entrada, temendo que suas nuâncias fossem observadas. Randy permaneceu de costas e em silêncio durante todo o momento em que empilhava, organizadamente, um roupão idêntico ao que usava em cima da pia. Quando ele estava prester a sair, Sadie foi tomada por um impulso:
_ Randall, eu ainda te amo.

Randy se virou no mesmo instante, fitando os olhos dela, pensando no que responder. Ele também foi nada discreto ao estudar o corpo mergulhado na banheira. Não conseguindo se expressar em palavras, Randy apenas desamarrou seu roupão e se juntou a Sadie na banheira. Um raio poderoso apagou todas as luzes antes de um estrondo. Eles fizeram amor ali mesmo, no escuro, dentro d'água, ao som das trovoadas. Depois do ato, permaneceram lá abraçados, e saíram apenas quando a água começou a esfriar.

Randy emprestou uma blusa de sua última turnê com Ozzy e um short velho de tactel. Enquanto a chuva enfraquecia, Sadie e ele leram as revistas compradas na banca. Não trocaram nem um olhar neste intervalo. Os dois precisavam de um tempo para processar o acontecido. Randy então buscou uma lata de Coca-Cola para dividir. Ao entregar a lata nas mãos de Sadie, finalmente estabeleceram contato visual e se beijaram:
_ Eu fiz algo errado? Lá em cima? - ele perguntou.
_ Nada que você fizer comigo é errado Randall. - disse Sadie, largando as revistas para abraçá-lo.
_ Acho que agora, você é minha namorada. - Randy concluiu.
_ Pode ser... - ela brincou, beijando-o novamente.

Sadie olhou preocupada para o relógio, e Randy se levantou:
_ Durma aqui.
_ Minhas irmãs ficarão preocupadas.
_ Tente não pensar nelas, pelo menos por uma noite.

Subiram então para o quarto. A cama era macia e Sadie se sentiu confortável quando se sentou. Randy apanhou um segundo travesseiro para sua hóspede. Não resistiram em trocar mais amassos. Sadie se entregou, deixando que Randy a guiasse, amando seu corpo, e ela amando igualmente o dele.


Graféas


sábado, 2 de abril de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Três

O Professor e a Aluna
(22/10/81)


Domingo de manhã, Sadie e Valentina tomaram o café com Hope e sua pequena família. George conversava alegremente com as cunhadas, e a filha Theresa já segurava seus talheres sozinha e com supervisão da mãe para evitar alguma bagunça. Sadie se sentia muito mais confortável morando ao lado de sua irmã mais velha, lá ela era parente de alguém.

Em um de seus pensamentos e devaneios, a jovem se lembrou da noite passada. A viagem foi tão intensa que se distraiu completamente:
_ Sadie!? - chamou George. - Escutou minha pergunta?
_ Não, me desculpe. Pode repetir?
_ Perguntei o que tem feitos nesses últimos dias. Fora do trabalho.
_ Eu? Bem... - ela gaguejava. - Eu...
_ Ela está saindo com um cara famoso. - disse Valentina, de boca cheia.
_ Mesmo?

Hope lançou um olhar diabólico á caçula, Sadie desceu sua cabeça até a mesa, e Theresa começou a rir. Valentina, orgulhosa, continuou:
_ Ele é guitarrista do Ozzy Osbourne.
_ Valentina! - explodiu Hope.
_ Fiz algo errado? - assustou-se.

Sadie permaneceu em silêncio, e não sabia aonde mais enfiar a cara de tanta vergonha. Valentina não podia ter feito aquilo. Graças a Deus, ela não tinha saído por aí espalhando algo que não era nem oficial. Sadie e Randy ainda estavam em processo de se encontrarem em tempo e espaço. A única coisa que pedia, no momento era que todas as testemunhas da proximidade com o artista ficassem caladas. Enquanto Hope explicava tudo ao marido, Sadie se retirou da mesa, e caminhou até a varanda minúscula do apartamento.

Um carro cinza, do modelo GTO, se aproximava das limitações do condomínio. Era possível observá-lo enquanto estacionava. Uma das portas foi aberta, e dá saiu um sujeito vestindo jeans e camiseta laranja. O moço encostou-se no veículo e e colocou um cigarro na boca. Sadie abriu um sorriso, e deixou o apartamento sem se despedir.

Veloz, ela desceu os jogos de escadas e atravessou os blocos para o portão mais próximo. O moço deu uma última baforada antes de pisar em cima de seu cigarro:
_ Parece que você voltou de uma maratona.
_ Eu te vi lá de cima e vim voando. - Sadie estava ofegante.
_ Oh sim.
_ Randall, me faz um favor se puder?
_ Claro. - ele respondeu, pisando novamente no asfalto.
_ Vamos logo porque eu não quero que vejam pra onde estou indo. É melhor assim.

Randy arrancou o carro e rodou para o norte de Los Angeles. O destino era a escola de música Musonia. O estabelecimento fora fundado por sua mãe, Delores, a qual iria rever por lá. Talvez seu irmão mais velho Kelle ainda estaria dando aulas de piano e canto, como era de costume. Durante suas férias ele prometeu  iria continuar dando aulas. Randy mal podia esperar para ver os avanços dos alunos dos quais já ensinou, e é claro, ver Sadie dedilhar alguma coisa.

Musonia, em Los Angeles


_ Sabe por onde Kevin tem andado? - perguntou o loiro.
_ Kevin DuBrow? Vocalista do Quiet Riot?
_Esse mesmo
_ Ele está bem. - respondeu Sadie.
_ Ouvi dizer que Jolie está com ele agora.
_ Sua ex-namorada e seu amigo estão noivos.
_ Puxa, eu perdi tanto assim?
_ E como. Sofremos muito com sua partida. Principalmente eu e Kevin.
_ Mesmo? - Randy estacionou o GTO.
_ Chegamos a namorar por uns 4 meses. - Sadie parecia ter vergonha daquilo.

Os dois seguiram em silêncio até a entrada da casa. Randy ficou pensativo. Provavelmente, a angústia gerada por sua partida uniu Sadie e Kevin. Além do mais, com quantos outros caras ela esteve durante o período? E porque estava tão preocupado com isso? Era coisa demais para sua cabeça, muitas dúvidas a serem clareadas, antes que outra turnê se inicie.

Algumas crianças e adolescentes o reconhecerem sem delongas. Todos eles o cumprimentaram e disseram que ele era o motivo por estarem ali. Randy Rhoads era a inspiração dos jovens músicos. Sadie, admirava toda aquela dedicação, por mais envergonhada que ainda estivesse. Ela o seguiu para todos os cantos, encantada com as memórias que não paravam de surgir, até que uma senhora de cabelos grisalhos cruza o corredor principal. Delores tinha um sorriso, e expressões características de uma mãe carinhosa. Uma que Sadie desejaria ter:
_ Randy! - exclamou ela. - Tudo bem querido?
_ Senti saudades mamãe. - ele a abraçou apertado.
_ Eu também, muito! - bradou, beijando-lhe no rosto.

O rosto do guitarrista adquiriu tons róseos e Delores fuzilou Sadie com os olhos:
_ Sra Rhoads, como vai?
_ Muito bem, obrigada. O que a traz aqui, senhorita Bunker? - perguntou, com um riso amarelo.
_ Ela terá uma aula comigo. - avisou Randy, empolgado. - Até outra hora mãe.

Ironicamente, Sadie sempre teve uma relação antipática com Delores. Ela era considerada como uma mãe para os membros da banda Quiet Riot e tratava Jolie bem. Talvez fosse a diferença de idade entre ela e o resto da turma. Agora Sadie tinha seus 18 anos e ele 24. Antes ela tinha 13 e ele 19. Uma criança na época. Mais chocante ainda, já gostava de Randy, e nunca deixou de gostar.

Entraram então na saleta onde ele costumava dar aulas. O chão era de uma madeira escura, paredes brancas um pouco manchadas, duas janelas iluminavam o local. A mobília era formada apenas por um abajur estranho, uma mesinha e duas cadeiras. Em dez minutos, Randy e Sadie haviam "aquecido" e verificado a afinação de de seus violões:
_ Então, o que você sabe fazer?
_ Isso é pra valer Randall?- Sadie trepidou.
_  Eu realmente gostaria de ouvir algo, se for possível.
_ Tenho medo de você ficar desapontado.
_ Hã? Não, não ficarei. Apenas toque. - pediu Randy.

A antiga aluna, após hesitar por alguns segundos, pensando no que fazer, começou  a tocar uns acordes e murmurar. Provavelmente se recordando da música escolhida. Ela avisou que era a única canção que conseguia tocar inteira. O professor em questão fez um sinal. A faixa escolhida era de um grupo da década de 60, Small Faces. "Afterglow (of your love)" foi gravada também pelo Quiet Riot. Sadie acompanhou o som de seu violão com um canto doce, bem baixo. Randy observou cada troca de notas, e posições dos dedos ao longo do ato. Se sentiu orgulhoso, e feliz por sua companheira não ter mentido.

_ Sadie, quero que conheça minha casa nova.
_ Você teve tempo para comprar uma casa? - perguntou ela, parando de tocar.
_ Eu mandei construí-la em 1978. - respondeu ele.
_ Uau! Teve condições pra isso?
_ Por esta razão ficou pronta apenas neste ano... e então?
_ Seria um prazer ver sua casa.

Randy guardou o violão que emprestou num armário e levou o outro consigo. De repente, os dois não paravam mais de rir. Deixaram a escola Musonia às gargalhadas. Trocando piadinhas e lembranças engraçadas. Aos poucos, estavam "baixando a guarda" e em algum momento ou outro, o namoro tinha que acontecer.






Graféas

quinta-feira, 31 de março de 2011

Comunicado #4

Eu estou tentando com todas as minhas forças convencer minha mae a liberar meu computador para a postagem de hoje. Se der certo, a postagem vai estar no blog esta noite. Se a tentativa der errado, tentarei usar o computador do meu pai, ou digitarei o terceiro capitulo de THUNDERBIRD apenas no sabado.

Peço perdao pela falta de acentuaçao, ja que o notebook que estou usando nao permite a utilizaçao destes.
(prometo postar a correçao abaixo tambem).



desculpa Thiago, ta foda aqui em casa

quinta-feira, 24 de março de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Dois

Pedras deixadas pelo caminho
(21/10/81)



Era tarde da noite e chovia em Los Angeles. O dia anterior foi repleto de surpresas. Ninguém imaginaria que Randy Rhoads tivesse interesse em visitar amigos da adolescência, e Sadie era a mais improvável. A caçula Valentina mais uma vez se hospedou no apartamento dela. Não podia ficar com Hope por questões de educação. Ela tinha o marido George, e a filhinha Theresa, de 2 anos de idade.

_ Sadie, está dormindo? - chamou a jovem, do colchão.
_ Não mais. - Sadie bocejou. - O que foi?
_ Vamos conversar.
_ Agora?
_ Quero falar sobre o Randy.
_ Quer saber o quê? - Sadie se virou para o lado correto.
_ O que vocês fizeram fora da loja? Não consegui ouvir...
_ Você não tinha que ouvir nada mocinha.
_ Por favor Sadie... - a curiosidade a mordiscava por dentro.
_ Randall me chamou pra sair.
_ Oh, então ele finalmente está afim de você?!
_ Boa noite Valentina.

Sadie conhecia Randy desde a época em que estudava, mas não eram exatamente amigos. Na realidade, quase não se falavam. Moravam no mesmo bairro, saíam com o mesmo grupo, e ela sempre dava um jeito de invadir clubes e bares para ver seus shows, quando ainda tinha uma banda chamada Quiet Riot.  Após as graduações do ensino médio, Sadie tentou faculdade e  Randy já era professor de guitarra na escola de música fundada por sua mãe Delores Rhoads. 

Sadie não queria perder Randy, e foi sua aluna de violão até meados de 1979. Os dois terminaram por declarar os sentimentos que tinham um pelo outro, mas o tempo estava contra eles. Randy passava tempo demais ocupado com seus companheiros de banda. Perderam a esperança de ficar juntos quando Ozzy Osbourne o contratou. Ele não sabia quando voltaria, e se voltasse não teria tanta disponibilidade. Ao decorrer dos meses, o fogo que queimava de amor em seu coração foi se transformando em cinzas, entristecendo-a por completo. O volta do guitarrista produziu algumas faíscas que só o tempo revelaria  as consequências.


esquerda/direta: Drew Forsyth;Randy Rhoads;Kevin DuBrow;Kelly Garni

Horas se passaram e mais uma vez Hope abria a loja de discos. Depois de atenderem várias pessoas, Valentina chegou acompanhada dos pais. Ginna e Paul  vieram dar uma inspecionada, verificar se Hope e Sadie tinham boas condições financeiras. O mínimo que poderiam fazer era saber se não estavam morrendo de fome ou definhando de miséria. Felizmente, estava "tudo bem". Tudo bem no tom mais seco que poderia sair da garganta de alguém. Eles nunca aprovaram o ofício que as primogênitas escolheram:
_ Vendedores são instáveis. - declarava o pai. - Podem perder tudo num piscar de olhos. Valentina, minha filha, você vai ser advogada.
_ Papai, eu sei o que eu quero. - ela olhava preocupada para as irmãs.
_ Não faça, igual Sadie. Ela escolheu mal e desistiu. Hope pelo menos tem diploma de administração. - completava a mãe.

Sadie se sentiu muito mal pelas palavras proferidas. Para evitar atrito, ela pegou sua bolsa em silêncio, e entrou no banheiro. Quando reapareceu, seus pais já tinham ido embora há algum tempo. Estava maravilhosa, com um vestido rosa-salmão, delicado e decotado na medida certa. Não disse aonde ia porque não era preciso. Hope não gostava da ideia de ter Randy por perto. Quanto mais famoso ele se tornava, mais exposta ela ficaria.

O relógio da "Loud" marcou 8 e meia da noite quando Rhoads chegou. Ele usava blazer, calça social e sapatos novos. Algo que ele jamais compraria antes de se juntar a Ozzy. Enfim, os dois partiram no carro do próprio Randy. Ele dirigiu até um restaurante perto do lugar onde ele costumava morar. Entraram sorrateiros, mesmo que o estabelecimento não estivesse cheio. Pediram coca-cola e spaggeti:
_ Randall. - Sadie suspirou. - O que estamos fazendo aqui?
_ Tem algo errado?
_ Estamos no mesmo lugar, comendo o mesmo do último dia em que nos vimos.
_ Eu gostaria de me lembrar exatamente o que aconteceu.
_ Fácil. Eu disse que te amava e você: "eu vou embora amanhã".
_ Não foi assim. Eu falei que a turnê seria muito longa, e eu tenho que perguntar uma coisa.  Há quanto tempo Sadie?
_ Desde sempre Randall. Eu fiz aulas de violão com você porque queria ficar por perto.

Sadie e Randy ficaram vários minutos em silêncio, até que o loiro se manifestou:
_ Então você fez as aulas de violão por 2 anos sem gostar de tocar músicas?
_ Não. Eu gostava de aprender.
_ Sério? - ele fez uma careta.
_ Juro.
_ Então, eu quero ouví-la tocar. Pode ser amanhã?
_ Isso é outro pedido de encontro? - ela riu.
_ Meio que isso. - balbuciou, envergonhado.

Randy deixou-a em casa. Os beijos de boa noite foram nas bochechas rosadas dele. O lugar marcado seria uma surpresa. Agora ele queria testar até que ponto eles poderiam dividir o sentimento de confiança. Eles falariam sobre música, e quem sabe, fazer algo a mais. Sadie mal podia acreditar  no tanto que estava feliz. Era como se todas as cores ficassem de repente mais vivas. Quando achou que tinha se acostumado a ficar sem Randy, ele volta ainda mais próximo de se comprometer. Mais uma vez sua vida teria uma finalidade, uma motivação.


Graféas

quinta-feira, 17 de março de 2011

THUNDERBIRD - Capítulo Um

REENCONTRO
(20/10/1981)



Sadie Bunker deixou seu condomínio com pressa.  As chaves de seu apartamento foram no bolso, e ela desceu a rua trotando. Quando chegou á loja, um caminhão parado na esquina deixava seu carregamento. Uma mulher loira assistia a tudo. As duas se aproximaram sem demoras. Aquela era Hope Laurant, sua irmã mais velha, de sobrenome mudado pelo casamento. Seu marido, George Laurant.

Hope gerenciava uma conveniência vendedora de discos batizada "Loud". Com poucos anos de existência, o sonho de se tornar um point da cidade de Los Angeles estava longe:
_  Sadie, perdeu o horário hoje?
_ Desculpe. Valentina apareceu no meu apartamento ás 2 da manhã...de novo.
_ Pelo menos ela  não perde o ônibus para a escola, certo?
_ De jeito nenhum! Eu a fiz levantar.
_ Bom. - Hope cortava o assunto. - Hoje é dia de encher as prateleiras. Vou chamar George.

A família Bunker era cheia de contratempos e pólos contrários em cada um que a integrava. Hope era alta, dos cabelos compridos, com siso materno maior que sua própria mãe. Sempre dedicada a cuidar de quem ama. Valentina era a caçula de futuro promissor. Agitada, de cabelos negros curtíssimos, e tão sincera que podia magoar. Não gostava de nada que ficasse oculto. Sadie tinha a cabeleira escura também, de fios longos, e seus olhos sem pigmento tinham um brilho único. É a irmã do meio, e carrega nas costas a decepção dos pais por ter largado a faculdade para trabalhar na loja. O trio é fruto do casal Paul e Ginna Bunker. Sentimentalismo não era o forte dos cônjuges. Queriam que Hope tivesse se casado mais cedo, e mal viam o momento de Valentina se mudar definitivamente.

Arrastando uma escadinha para alcançar todos os pontos possíveis do estabelecimento, Sadie pensava com seus botões. O movimento da loja estava anormalmente intenso naquele dia. Só ali procurou a lista da distribuidora, encontrando o motivo do alvoroço. Hope indagou o espanto na face da  irmã:
_ Sim, dois álbuns do Ozzy Osbourne. Conseguimos promoções do primeiro e pré venda do segundo disco.
_ Não é isso. - Sadie tossiu. - É que... Randall os gravou.
_ Você não o vê há tanto tempo. Supere isso, o mundo dele agora é outro.
_ Pois é... - respondeu, antes de atender um consumidor.

Enquanto pessoas iam e vinham justamente por causa dos dois álbuns, Sadie pensou no tanto que sentia falta do mais novo ídolo da música, Randy Rhoads. Ela estremecia com todas aquelas memórias. Desde passeios com amigos até às aulas de violão. Por algum tempo, observou petrificadamente uma foto que integrava a contracapa de um dos LPs. A cena foi flagrada pela recém chegada Valentina:
_ Pare de babar Sadie. Você nem sabe com quantas tietes ele e a  banda devem ter trepado na estrada.
_ Por que disse uma coisa dessas?
_ Aquele Ozzy, é um doido. Com certeza uma má influência para o seu Randy. - continuou, deliciando a crítica.- Nem sei como elas têm coragem. Ele é feio... e louco.
_ Chega Valentina. - Hope cortou, despedindo-se de mais um cliente.
_ Vocês duas sabem que não posso controlar o que penso. - replicou a estudante, com um sorriso no canto da boca.

A próxima pessoa a passar pela porta foi um homem em seus quase 30 anos, forte, cabelo ondulado castanho, e de barba mal feita. Seu nome era Johny Hertz. Era a pessoa que comprava com mais frequência na "Loud", um grande amigo das três moças. Ele nem ficou muito. Pegou um álbum do Rod Stewart, abraçou suas garotas e foi andando.

Já eram 4 da tarde quando elas finalmente tiveram tempo de almoçar. Revezavam para esquentar seus pratos prontos no micro-ondas nos fundos. Aquilo era tão comum que tiveram de comprar cadeiras e mesa, montando uma espécie de saleta de jantar no porão da loja. Eis que, enquanto Sadie estava ausente, o sino da porta mais uma vez tocou. O visitante que chegava tinha cabelos loiros compridos e escovados. Sua face era parcialmente ofuscada pela luz do sol poente. Valentina não precisou nem se esforçar para reconhecê-lo, e deu alguns passos à frente:
_  Se não é Randy Rhoads, o gênio por trás das músicas de Osbourne, e bla bla bla.
_ Olá. - cumprimentou, tímido.
_ Voltou de viagem? - perguntou Hope, simpática. - Não vemos você há muito tempo.
_ Agora estou de férias. - ele economizava palavras. - Valentina está enorme.
_ Você só me viu duas vezes Randy, na vida. - lembrava.
_ Desculpe-me por isso. Ás vezes ela não mede o que fala. - avisou Hope. Randy apenas riu e abaixou os olhos. Ele nunca conseguiria se irritar com nada ou ninguém. Ele era assim. 

Tudo se tornou silencioso quando Sadie voltou. Randy se virou para que não fosse reconhecido tão imediatamente. Na verdade, caminhou em direção a saída, sabendo que logo a ficha dela iria cair. Valentina tentou explicar o que havia acontecido, mas não era necessário. Sadie o cutucou. Afobada, chorosa e descrente. Ela e o guitarrista se abraçaram ali mesmo, e saíram do estabelecimento. Os dois se sentaram no banco da calçada, e foram espiados pela vidraça, mas nada pode ser escutado.

Sadie estava tão perplexa, e feliz ao mesmo tempo. De todos os sentimentos que eclodiam dentro de seu coração, a saudade foi o que dominou. Ela não pode evitar abraçá-lo novamente. O idolatrado músico retribuiu o ato, e beijou-lhe em uma das pálpebras:
_ Ainda temos muito o que conversar...
 


Graféas

quarta-feira, 9 de março de 2011

THUNDERBIRD - Prefácio

Thunderbird:
Uma fanfiction sobre Randy Rhoads

Você não pode voltar
Você está voando livre
Eu acho que você encontrou tudo o que precisava


Voe,voe
Para o seu novo lar
Além dos mares
Oh deixe o seu ninho
Oh deixe a melhor coisa que você já foi



Prefácio (1)
 É tão difícil explicar porque fiz essa fic. Eu não toco guitarra, não sei nada de escalas ou pentatônicas. Não sei nem se sou canhota para manusear tal instrumento. Tudo que sei é que um dia escutei uma música entitulada "Crazy Train", e em outro momento li a autobiografia do senhor Ozzy Osbourne. Como toda fã em processo de aprendizagem, absorvi tudo que consegui sobre o mestre Randy Rhoads. Um homem que viveu tão pouco, mas deixou um legado de fãs e clássicos da música.

De certo, Randy Rhoads pode ser tudo menos um herói literário. Como em todo romance, o herói tende a ser perfeito. Isso inclui também as virtudes físicas. Randy era uma pessoa magricela,  de estatura baixa, e com feições delicadas demais para serem consideradas másculas. Dentro deste conto, por mais irônico que seja, são exatamente essas características que o fazem um modelo de perfeição. O narrador em questão busca seguir o ponto de vista da personificação feminina, a protagonista, que complementa o texto.(Nome e detalhes somente a partir do primeiro capítulo).
Digamos que esta personificação feminina seja uma forma que encontrei de conhecer Randy Rhoads. Ela é um portal para todas as curiosidades e fantasias que um dia ousei pensar sobre o guitarrista. Como seria conversar e tocar Randy? Eu sanei minhas dúvidas com a imaginação.

Por fim, gostaria de falar sobre a morte. Um elemento cruel, mas necessário a esta fanfic. Eu não conseguiria realizar este trabalho sem incluir o falecimento de Randy. Dentro de toda essa fantasia em que mergulhei, eu nunca me perdoaria se alimentasse uma crença de que ele ainda estaria vivo. Assim como eu, as personagens passam por um difícil momento de aceitação.

Espero que gostem da fanfiction!
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 Prefácio (2)

" Então, uma noite, esse norteamericano magrinho veio até Le Park [hotel] para se apresentar [teste de guitarrista]. A primeira coisa que pensei foi: ou ele é uma garota, ou é gay. Tinha cabelo comprido e liso, uma voz profunda e estranha e era tão magro que parecia não estar ali. (...)
_ Quantos anos você tem? - perguntei, assim que ele entrou.
_ 22.
_ Qual é o seu nome?
_ Randy Rhoads.
_ Você quer uma cerveja?
_ Aceito uma Coca Cola, se tiver.
_ Vou pegar uma cerveja. Você é homem, por falar nisso,  não?
_ Hã, sou. Até hoje de manhã.
Randy deve ter pensado que eu era um lunático. Depois disso, fomos até um estúdio, em algum lugar, para que eu pudesse ouví-lo tocar. Lembro dele conectando sua Gibson Les Paul num pequeno amplificador e perguntando:
_ Você se importa se eu esquentar um pouco?
_ À vontade. - eu falei.
Aí começou a fazer uns exercícios com os dedos. Eu precisei pedir:
_ Pare. Randy, pare agora mesmo.
_ O que foi? - ele perguntou olhando para mim com uma cara preocupada.
_ Está contratado."

_ EU SOU OZZY_
(trecho)
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Graféas

FYI: Randy Rhoads começou a carreira musical na banda Quiet Riot, nos anos 70. Em 1980, foi para a banda de Ozzy Osbourne, gravando dois álbuns. Em 1982, durante uma turnê nos EUA, ele morre em um acidente de avião, junto com a maquiadora da banda e o piloto, que era motorista do ônibus da turnê.
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