Um novo dia
(23/10/1981)
(23/10/1981)
Ás 7 horas da manhã, exatamente, Sadie foi deixada em seu condomínio. Ao entrar no apartamento, fechou a porta cautelosamente, e verificou seu quarto. Nenhum sinal de Valentina para seu alívio. Só a hipótese de encontrá-la por lá dava uma coceira atrás das orelhas.
Enquanto lavava a louça, despreocupada, a porta do banheiro rangeu e bateu. Uma mocinha entrou então na cozinha, arrastando suas pantufas e com cabelo emaranhado. Estava de pijamas e esfregava bem os olhos. Ela então se sentou à mesinha e deitou sua cabeça entre os braços, ansiando por atenção. Sadie, ciente do que se passava, continuou de costas, sem olhar para trás.
_ Bom dia , Sadie.
_ Oh, bom dia Valentina.
_ Gostaria de se explicar? - Valentina afiou a língua.
_ Eu tenho que explicar alguma coisa?
_ Nós quase chamamos a polícia.
_ Relaxa, eu estava com... amigos.
_ Você tem algum? - pressionou.
_ Respeito que é bom, nada.
Valentina se levantou e chegou bem perto da irmã. Examinou seus olhos, expressões faciais e adereços corporais. O cabelo estava limpo, suas roupas um pouco abarrotadas, com resquícios de cheiro de chuva. O instinto investigativo da jovem era por vezes, assustador:
_ Você estava com Randy.
_ Teria algo de errado se eu estivesse?
_ Estava na casa dele.
_ Por favor, pare.
_ Oh meu Deus, você dormiu com ele!
_ Basta! - Sadie se descontrolou. - Não entendo como você consegue descobrir essas coisas.
Sadie se calou por um instante. Ela conhecia muito bem a caçula e tinha todos os motivos para temer o que ela podia fazer com informações tão valiosas. Só existia uma forma de coibir suas futuras ações e chantagens, usar as mesmas armas para extrair algo que ferisse sua privacidade:
_ Agora, é sua vez.
_ Minha vez?
_ É. Quero saber por onde andava na noite em que chegou aqui às 2 da madrugada.
_ Tudo bem, é justo. - a garota abriu a geladeira e pegou uma garrafa de leite. - Podemos dizer que passei por uma experiência similar à sua.
_ Desde quando? - Sadie estava surpresa.
_ Estou com um garoto há um mês. - disse, bebendo o conteúdo da garrafa sem constrangimentos.
_ Você só tem 15 anos... Olha aqui, se contar alguma coisa de mim e Randall, papai terá uma bela surpresa.
_ Papai não se importa com você mais.
_ Aposto que ele não gostaria de saber essas sujeiras da filha favorita.
Finalmente, Valentina entendeu o recado. Um acordo maldoso havia sido selado naquela manhã. Com raiva, ela terminou garrafa, e deixou o apartamento. Era uma situação delicada, mas Sadie aos poucos lidaria com esses problemas. Em anos, ela nunca havia se sentido tão viva, tão corajosa. Estava cansada de direcionar tudo em prol de uma família que se afastava cada vez mais. Sadie queria encarar o mundo do jeito que sempre quis, sem ninguém palpitar em relação às pessoas que amava ou deixava de amar.
Hope e a irmã do meio desceram a rua juntas para o trabalho. Por uma questão de respeito, Sadie contou que esteve com Randy Rhoads, mas tentou omitir ao máximo os momentos mais intensos da noite anterior. Estava, porém disposta a ouvir tudo que a primogênita Bunker tinha a dizer. Um sermão nada agradável de aceitar.
_ É isso mesmo que quer Sadie? Não devia botar tanta confiança nele.
_ Por que diz isso?
_ Ele pode te abandonar... igual fez com a antiga namorada dele. A fama muda as pessoas.
_ Hope, a fama muda as pessoas, mas não mudou Randall.
_ Se está certa disso...
_ E como estou!! - gritou ela.
Foi um dia muito bom para as vendedoras. Mais uma vez, cumpriram a meta estipulada pelos fornecedores. Ao final da tarde, o fluxo de compradores diminuiu e Hope teve tempo de fazer anotações, contas e um relatório. Sadie varria o assoalho quando a irmã avisou de um jantar na casa dos pais. A moça engoliu em seco, mas aceitou o convite. Fecharam a loja, e um comentário incomodou a nova enamorada:
_ Sadie, acho que vai me entender quando essa fase passar...
George Laurant levou sua mulher, filha e cunhadas para o jantar marcado. Sadie foi recebida pelos pais, Paul e Gina, com um pouco de desdém, mas aos poucos, seus olhos exibiam um certo tipo de alívio. Não eram olhares exatamente afetivos, se pudessem ser interpretados, diriam que ao menos Sadie não se tornou uma viciada, estava saudável.
O spaghetti foi servido, e a família estabeleceu vários diálogos.Alguns comentários eram sobre o aniversário de Sadie, em dia de Halloween. A senhora Bunker se orgulhou do trabalho na cozinha, pois o prato agradou a todos.
Durante a volta para casa, George dirigia tranquilamente. Hope decidiu insistir na ideia de comemorar os anos de Sadie, vetada durante o jantar:
_ Se você quiser, eu faço uma festinha só entre irmãs.
_ Não quero te dar trabalho... - respondeu, pensando se Randy se lembraria.
_ Você vai fazer 19.
_ Muita gente faz 19, ora bolas! - intrometeu Valentina.
_ Eu quero passar meu dia sozinha. Sem festa, sem nada.
_ Dane-se. - desistiu. - Todos nós sabemos com quem quer passar a data, senhorita Sadie.
Graféas


kkkk a valentina é foda
ResponderExcluirpo parou bem na hora... parecendo novela
*-*