domingo, 8 de abril de 2012

THUNDERBIRD - Capítulo Treze

O Aniversário
(05/12/1981)


Randy Rhoads levantou-se da cama vagarosamente. O cabelo liso e bagunçado escorria pelo rosto e ombros. Ele passou a mão pelas mechas, destampando a visão, e abriu as cortinas do quarto. A luz cegava-o temporariamente. Cambaleou até o banheiro e tomou uma ducha fria para acordar completamente. Havia sonhado com Sadie, e as imagens o fizeram sentir saudade; e um grande arrependimento. Resolveu ligar no mesmo momento, e pediu rapidamente os códigos internacionais e serviço de quarto para a recepção do hotel.

Garfo, ovos fritos, garfo, salsichas, telefone, Estados Unidos da América, Los Angeles.
_ Alô?
_ Sadie está?
_ Sabe quantas horas são? Quem fala?
_ Randy.
_ Me perdoe, Randy. Eu sou Johny, amigo de Sadie. Infelizmente, ela não veio dormir em casa hoje e não disse onde estaria também.

Randy surpreendeu-se por não conseguir contato imediato. Momentos depois, deixou o hotel acompanhado de dois dos seus companheiros de banda, Tommy e Rudy. Eles se dirigiram ao local de ensaio, um estúdio mediano, enquanto os preparativos visuais não estavam prontos. Esperavam apenas Don Airey terminar de montar seus sintetizadores.

O guitarrista, porventura, estava inquieto:
_ Qual a diferença de horário entre Los Angeles e Londres? - perguntou.
_ Creio que lá são 7 horas mais cedo. - Rudy respondeu.
_ Droga!
_ Você ligou para a Sadie, não foi?

Ele assentiu, de faces coradas e semblante apreensivo:
_  Eu acho que ela dormiu na minha casa. Aquele homem de quem eu falei atendeu e disse que não sabia de nada.
_ É só ligar mais tarde, 'Rand'. - Rudy tranquilizava-o. - Sharon já esclareceu qual é a dele, certo?

Não houve resposta. Don anunciou estar pronto, e segundos depois Tommy já estava executando a introdução da canção "Over The Mountain". De todos os músicos ali presentes, Randy era o único que havia participado da gravação original de estúdio, porém naquele segundo ensaio, a banda já parecia completamente familiarizada com a partitura. Outras duas músicas do álbum mais recente também estavam sendo trabalhadas, e dependiam apenas do vocalista para aprovação. Valia a pena lembrar que Ozzy Osbourne ainda se tratava contra depressão e não tinha condições de cantar.

Depois de repassarem a lista de músicas, os quatro foram a um restaurante pitoresco, próximo ao monumental 'Big Bang', para almoçar.Todos já estavam se deliciando com seus pratos quando, de repente, Sharon ultrapassa a entrada com pressa e enorme afobação. Ela pegou uma cadeira qualquer e se juntou á mesa onde os rapazes estavam sentados.

Senhorita Arden não prestou cumprimentos:
_ Esses médicos não sabem merda nenhuma!
_ O que aconteceu? - perguntou Randy, assustado.
_ Vou tirar meu Ozzy daquela pocilga! Me disseram que não era possível resolver o problema dele. Bando de salafrários! Ladrões fodidos!
_ Acalme-se Sharon. Quando ele estará entre nós? - indagou Tommy.
_ Hoje à noite! - ela vibrou. - Vamos animá-lo com uma festa de aniversário, que por acaso, será também a festa de Randy.
_ Hum, não sei se é uma boa ideia expor Ozzy à tanta agitação. - Rudy se preocupou.
_ Não será grande coisa. Conheço um pub ótimo para essas ocasiões, com alguns agrados para vocês...


Randy se imaginou em outro clube de strip-tease onde algo bizarro aconteceria, assim como em duas outras experiências anteriores. Implorou baixinho para que Sharon não exagerasse no ideal de comemoração. Após a refeição, Randy deixou o grupo, saindo sozinho pelas ruas londrinas e descansando á beira do Tâmisa. Acendeu um cigarro e passou a aproveitar a vista. Nos últimos dias, seu estresse comum de viagens tinha piorado por causa de Sadie. Ele não podia voltar atrás e se desculpar por pensar coisas tão medíocres. Tudo que lhe restava era continuar a fumar.

Não era desse jeito que ele esperava "festejar" seus 25 anos de vida.: em um bar, bebendo, observando Ozzy debruçado com a testa na mesa e garçonetes de roupas curtas se exibindo e roçando em seus companheiros de banda. Sharon tentava alegrar os dois aniversariantes ao máximo, dando-lhes presentes. O vocalista ganhou um relógio de brilhantes e Randy uma bolsa gigantesca de couro:
_ A sua está muito velha Randy, e sem espaço para todos aqueles cabos.
_ Obrigado, Sharon. - agradeceu, estudando o presente.

Uma pessoa fez soar o sino da porta, quando entrou no pub, mas ninguém deu atenção a não ser a empresária:
_ Randy, tem algo a mais que eu gostaria de mostrar... - ela segurava sua mão.
_ O que é? - ele fez uma cara preocupada.
_ Você não precisa fingir que está feliz, eu sei que não está.
_ E eu?! Esqueceu que eu existo? - berrou Ozzy, parcialmente acordado.
_ Cale a boca Ozzy! Eu faço tudo por você! - ela gritou de volta. - Bom, Randy, eu acho que você se sentiria melhor se olhasse para trás...

Sadie estava lá, a alguns metros de distância apenas, paralisada. Randy não se mexeu também, e mal podia acreditar que aquela figura de cabelos negros escorridos, olhos que cintilavam em lágrimas, e de vestido azul era sua garota. Rudy o beliscou, o guitarrista tomou um susto e se levantou, derrubando um copo no chão. Sadie também saiu do transe espectatorial e saiu correndo para fora. Ela não pode ir muito longe. Randy puxou-a pelo braço antes que virasse a rua. Ele a prensou contra um poste e então os dois se abraçaram e se beijaram loucamente. Cada toque tinha gosto de saudade, de paixão.

Ela ainda chorava:
_ Calma, Sadie. Está tudo bem, estou aqui.
_ Desculpe-me pelo drama... e feliz aniversário.
_ Obrigado.
_ Sua família mandou presentes, mas eu não puder comprar que representasse o quanto eu te amo.
_ Não se importe com isso, eu já tenho o melhor presente de todos: você.


Graféas

domingo, 1 de abril de 2012

THUNDERBIRD - Capítulo Doze

Contagem Regressiva
(30/11/1981)


Antes de partir, Randy confiou os cuidados de sua casa a seu irmão Kelle e os tratos de seu GTO à Sadie. Ela não sabia dirigir, mas respeitava a paixão de seu namorado pelo veículo.Os "guardiões" encontraram-se no casarão cerca de três vezes depois da partida do guitarrista. Não conversavam muito, mas Sadie precisava avisá-lo da visita que faria. Randy adoraria receber cartas e lembranças de sua família:
_ Estou indo à Europa para ver Randall.
_ Isso é ótimo! - Kelle sorriu. - Poderia levar alguns presentes de mamãe e Kathy?
_ Presentes? - ela quase se esqueceu... - Sim, claro! - Sua viagem coincidiria com o aniversário dele.

Sadie sentia-se na obrigação de dar um presente digno a Randy. Afinal, depois de tanta coisa que ele já fez por ela, uma demonstração de sua felicidade ao lado dele era mais que justa. Como o dinheiro não era muito, optou por algo que tinha certeza que usaria: filmes fotográficos. Ele sempre adorou fotografar para se livrar do estresse das viagens. Depois de tanto tempo, era possível que precisasse de alguns refills. Faltando apenas uma semana para o grande momento, Sharon passou a ligar todos os dias.

Sharon mantinha Sadie atualizada de todos os acontecimentos. Se ocorresse algum imprevisto ou emergência o contato entre as duas seria crucial. Os pais da jovem apaixonada não faziam ideia de seus planos enquanto Johny se desesperava de curiosidade cada vez mais. Ele enlouqueceu quando percebeu que malas estavam sendo arrumadas. Tudo que queria era saber o que estava acontecendo, mas tinha medo de ser taxado como enxerido.

Era horário de almoço quando Sadie estava pendurada ao telefone:
_  Olá Sharon. Como vão as coisas?
_ Acho que está na hora de você saber... - a empresária suspirava pesadamente. - Ozzy está se tratando de uma depressão intensa.
_ Oh meu Deus! Como os rapazes reagiram?
_ Randy é o mais preocupado... mas Ozzy vai se safar dessa, ele sempre consegue se safar.
_ Espero que sim... eu ainda quero ir.
_ Tem seu passaporte?
_ Sim! - Afirmou Sadie convicta.
_ Passagens?
_ O correio entregou hoje.
_ Endereço do hotel?
_ Anotado.
_ Perfeito! - Sharon estava feliz. - Randy terá uma bela surpresa!
_ Espere... você não avisou? - Não obteve resposta. A ligação havia caído.

Sadie retornou á refeição com Johny, visivelmente intrigado. Com os cotovelos apoiados na mesa, ele mastigava mais devagar que o costume, como se a comida estivesse ruim. Engoliu com força. De repente bateu as mãos na madeira, fazendo um estrondo:
_ O que está havendo? - Exigiu ele.
_ Abaixe o tom da sua voz.- Sadie replicou.
_ Você fez algo errado? Aquela mulher não para de ligar, e outra: em que isso está relacionado ao seu namorado?

A primeira reação de Sadie foi explicar a reação como ciúme. Antes que pudesse respondê-lo, Jonhy continuou o desaforo:
_ Já que somos tão amigos, deveríamos nos confiar mais, não é mesmo? Você não divide nada comigo. Quem é esse seu amante? Um ladrão? Por que está arrumando as malas? Vai fugir? Estou me sentindo um estranho perto de quem eu julgava ser mais próxima e mais querida. Não sei o que você representa para mim agora

Johny estava, em grande parte, correto. Sadie contou então só o básico e foi o bastante para satisfazer a curiosidade do amigo. Passaram a tarde toda trocando memórias de shows e festas que frequentavam para ver a banda Quiet Riot tocar. As descrições renderam dias. Ao mesmo tempo, Sadie estava pensativa. Ela não sabia que Jonhy era tão festeiro, e por isso achava que sua versão do episódio no qual foi expulso de casa estava mal explicado.Porém, aquele não era o momento certo de abordar o assunto. O melhor era não atrapalhar a paz recém estabelecida no ambiente.

A espera de Sadie finalmente terminava. O frio na barriga e a insegurança eram crescentes. Randy tinha que saber pessoalmente que era o único homem capaz de colocá-la fora dos trilhos e deveria ser esperto o bastante para perceber tal coisa. Afinal, Sharon já esclareceu a confusão e não havia mais nada a fazer a não ser continuar bolando suposições...até que se encontrem cara-a-cara de uma vez.

Graféas