domingo, 1 de abril de 2012

THUNDERBIRD - Capítulo Doze

Contagem Regressiva
(30/11/1981)


Antes de partir, Randy confiou os cuidados de sua casa a seu irmão Kelle e os tratos de seu GTO à Sadie. Ela não sabia dirigir, mas respeitava a paixão de seu namorado pelo veículo.Os "guardiões" encontraram-se no casarão cerca de três vezes depois da partida do guitarrista. Não conversavam muito, mas Sadie precisava avisá-lo da visita que faria. Randy adoraria receber cartas e lembranças de sua família:
_ Estou indo à Europa para ver Randall.
_ Isso é ótimo! - Kelle sorriu. - Poderia levar alguns presentes de mamãe e Kathy?
_ Presentes? - ela quase se esqueceu... - Sim, claro! - Sua viagem coincidiria com o aniversário dele.

Sadie sentia-se na obrigação de dar um presente digno a Randy. Afinal, depois de tanta coisa que ele já fez por ela, uma demonstração de sua felicidade ao lado dele era mais que justa. Como o dinheiro não era muito, optou por algo que tinha certeza que usaria: filmes fotográficos. Ele sempre adorou fotografar para se livrar do estresse das viagens. Depois de tanto tempo, era possível que precisasse de alguns refills. Faltando apenas uma semana para o grande momento, Sharon passou a ligar todos os dias.

Sharon mantinha Sadie atualizada de todos os acontecimentos. Se ocorresse algum imprevisto ou emergência o contato entre as duas seria crucial. Os pais da jovem apaixonada não faziam ideia de seus planos enquanto Johny se desesperava de curiosidade cada vez mais. Ele enlouqueceu quando percebeu que malas estavam sendo arrumadas. Tudo que queria era saber o que estava acontecendo, mas tinha medo de ser taxado como enxerido.

Era horário de almoço quando Sadie estava pendurada ao telefone:
_  Olá Sharon. Como vão as coisas?
_ Acho que está na hora de você saber... - a empresária suspirava pesadamente. - Ozzy está se tratando de uma depressão intensa.
_ Oh meu Deus! Como os rapazes reagiram?
_ Randy é o mais preocupado... mas Ozzy vai se safar dessa, ele sempre consegue se safar.
_ Espero que sim... eu ainda quero ir.
_ Tem seu passaporte?
_ Sim! - Afirmou Sadie convicta.
_ Passagens?
_ O correio entregou hoje.
_ Endereço do hotel?
_ Anotado.
_ Perfeito! - Sharon estava feliz. - Randy terá uma bela surpresa!
_ Espere... você não avisou? - Não obteve resposta. A ligação havia caído.

Sadie retornou á refeição com Johny, visivelmente intrigado. Com os cotovelos apoiados na mesa, ele mastigava mais devagar que o costume, como se a comida estivesse ruim. Engoliu com força. De repente bateu as mãos na madeira, fazendo um estrondo:
_ O que está havendo? - Exigiu ele.
_ Abaixe o tom da sua voz.- Sadie replicou.
_ Você fez algo errado? Aquela mulher não para de ligar, e outra: em que isso está relacionado ao seu namorado?

A primeira reação de Sadie foi explicar a reação como ciúme. Antes que pudesse respondê-lo, Jonhy continuou o desaforo:
_ Já que somos tão amigos, deveríamos nos confiar mais, não é mesmo? Você não divide nada comigo. Quem é esse seu amante? Um ladrão? Por que está arrumando as malas? Vai fugir? Estou me sentindo um estranho perto de quem eu julgava ser mais próxima e mais querida. Não sei o que você representa para mim agora

Johny estava, em grande parte, correto. Sadie contou então só o básico e foi o bastante para satisfazer a curiosidade do amigo. Passaram a tarde toda trocando memórias de shows e festas que frequentavam para ver a banda Quiet Riot tocar. As descrições renderam dias. Ao mesmo tempo, Sadie estava pensativa. Ela não sabia que Jonhy era tão festeiro, e por isso achava que sua versão do episódio no qual foi expulso de casa estava mal explicado.Porém, aquele não era o momento certo de abordar o assunto. O melhor era não atrapalhar a paz recém estabelecida no ambiente.

A espera de Sadie finalmente terminava. O frio na barriga e a insegurança eram crescentes. Randy tinha que saber pessoalmente que era o único homem capaz de colocá-la fora dos trilhos e deveria ser esperto o bastante para perceber tal coisa. Afinal, Sharon já esclareceu a confusão e não havia mais nada a fazer a não ser continuar bolando suposições...até que se encontrem cara-a-cara de uma vez.

Graféas

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