A Chuva
(22/10/81)
Enquanto o carro foi se movendo ainda mais para o oeste, as montanhas do bairro de Hollywood foram desaparecendo aos poucos. O sol do meio-dia brilhava no céu. Estacionaram para tomar um café e comer um pedaço de bolo. Os dois estavam sentados numa das mesas da calçada da lanchonete escolhida. Atravessando a rua com os olhos, Sadie percebeu uma banca de revistas e uma loja com letreiros enormes, Tix era o nome. Percebendo o olhar curioso, Randy a levou para dar uma olhada.
Sadie comprou no total 5 revistas de música. Todas elas haviam artigos relacionados a Ozzy e sua banda. Randy Rhoads era capa de uma delas, e isso o fazia feliz. Após uma turnê gigantesca e cheia de imprevistos, finalmente, seu talento estava sendo reconhecido. Antes de retornarem, Sadie avista um conhecido saindo apressado da loja com os letreiros chamativos. Rápida, pede um momento à Randy e corre em direção ao homem:
_ Johny! Espere! - gritou ela.
_ Sadie?! O que faz nessa parte da cidade? - respondeu ele, surpreso.
_ Eu? - hesitou. - Passeando...
_ Aquele cara do lado da banca está com você? Ele não tira os olhos...
_ Não! Aliás, nem sei do que está falando. - Sadie vocalizou.
_ Sabe sim. - pressionou Johny, rindo. - Abre o jogo.
_ Abre o jogo você! O que fazia naquela loja?
_ Nada de mais. - a pergunta desmoronou o sorriso brincalhão.
_ Então, eu também não tenho nada a explicar...Bom, preciso ir. Até logo Johny. - despediram-se com um abraço.
Sadie ainda queria saber qual era o lance misterioso da loja. Logo que entraram mais uma vez no GTO cinza, ela perguntou:
_ Randall, o que a Tix vende?
_ Randall, o que a Tix vende?
_ Bem, eles vendem convites para festas em clubs ou comemorações exclusivas. - Randy explicou calmamente. - Quem era aquele?
_ Um amigo. Toda semana compra um disco na minha loja. Eu tinha de falar com ele.
O momento de Sadie conhecer a casa estava bem próximo. O veículo rodou pela mesma rua, em direção a uma subida extensa e vazia. O sol que cintilava amarelo foi encoberto por algumas nuvens durante o pequeno espaço de tempo que se passou. A residência se escondia atrás de uma lombada no trajeto. O queixo de Sadie só faltou cair. Era um casarão lindo. Pintura bege, janelas brancas e teto azulado. Pena que a beleza da construção fora ofuscada por um céu crescentemente nublado.
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| (simulação, percebe-se aliás, que o céu NÃO está nublado) |
Randy mostrou-se contente com a reação. Ele também estava surpreso e feliz pelo fato de realizar o sonho da residência própria. O que faltava apenas, era por mais gente lá dentro. A casa existia no intuito de abrigar seu futuro e seus desejos, como família e sossego. Seu trabalho com Ozzy Osbourne, infelizmente, tomava todo o seu tempo. Randy sempre adorou seu trabalho. Tocar guitarra era o ar que respirava, mas já estava na hora de correr atrás de outros sonhos, um deles era ter um diploma.
O GTO ficou na garagem, e a excursão começou. Primeiro o jardim, localizado atrás da casa. Grama escura, canteiros de tulipas e de rosas amarelas, suas favoritas. Cadeiras estavam alojadas ao lado de uma pequena área de churrasco. Depois, deram a volta e finalmente passaram pela porta da frente. A sala de estar era ampla e coberta por uma madeira clara. As escadas eram do mesmo material, e ficavam rentes á uma das paredes. Do outro lado, dois sofás estavam organizados diante de uma televisão, e o meio abria caminho para outros cômodos.
Randy mostrou a cozinha, citando as poucas peças que faltavam, um banheiro e uma sala onde planejava montar o próprio estúdio, Por enquanto, o local servia para guardar documentos e sua coleção de miniaturas de trens. Andar de cima. Mais dois banheiros, um no corredor e outro dentro do quarto principal, onde o guitarrista dormia. A aparência, por si só já era aconchegante. Além deste, haviam outros três quartos. A vista da janela de um deles dava exatamente para o centro da cidade, e era o lugar preferido de Randy. Os outros ainda não tinham planejamento algum.
Conforme passava o tempo, o céu se fechava ainda mais. O certo seria que Sadie fosse embora, mas ela não tinha intenção nenhuma de ir, pois sua sensação de admiração estava fora de controle. A última coisa que queria fazer era voltar para seu condomínio, para um cubículo indigno de ser chamado de lar:
_ Randall. - ela chamou.
_ Sim?
_ Eu vi um restaurante oriental no caminho. Poderíamos...
_ Vou pegar o telefone já. - interrompeu. Randy era louco por comida chinesa.
_ Não, vamos a pé.
_ E a chuva?
_ Teremos tempo.
Engano o dela. A descida era muito mais longa do que aparentava. Mal iniciaram a caminhada e gotas enormes de chuva começaram a pingar por suas cabeças. Randy segurou Sadie, mostrando a negritude das nuvens. Um temporal estava prestes a cair:
_ Será que dá para voltar?
_ Só vamos descobrir tentando. - Randy apertou a mão da acompanhante e os dois começaram a correr para a casa.
A dupla ficou ensopada. Sadie ficou tão encharcada que a entrada principal se tornou uma poça cada vez maior, à medida que a água escorria de suas vestes. Estava se sentido estúpida e envergonhada pelo episódio:
_ Droga, não posso aparecer em casa assim.
_ Sadie, você precisa de roupas secas, senão pode ficar doente...
_ É mesmo. - ela pensava numa alternativa. - Posso tomar um banho?
_ Claro! Eu te empresto um roupão e alguma coisa que te sirva. - o loiro ofereceu.
Randy rapidamente, preparou uma banheira quente em um dos banheiros do andar de cima, enquanto ele mesmo tomaria uma ducha no banheiro de seu quarto. Estranhamente, ele não parecia se importar com a situação, mas no fundo sentiu curiosidade quanto às características físicas íntimas de Sadie. Ela, por sua vez, ainda não podia acreditar onde estava. Era difícil distinguir se ficava grata pela generosidade de Randy ou se deixava dominar pelo receio de milhões de pensamentos.
Randy então bateu à porta de onde Sadie se banhava. Havia esquecido de deixar à disposição as toalhas que tinha prometido. Sadie se encolheu e permitiu a entrada, temendo que suas nuâncias fossem observadas. Randy permaneceu de costas e em silêncio durante todo o momento em que empilhava, organizadamente, um roupão idêntico ao que usava em cima da pia. Quando ele estava prester a sair, Sadie foi tomada por um impulso:
_ Randall, eu ainda te amo.
Randy se virou no mesmo instante, fitando os olhos dela, pensando no que responder. Ele também foi nada discreto ao estudar o corpo mergulhado na banheira. Não conseguindo se expressar em palavras, Randy apenas desamarrou seu roupão e se juntou a Sadie na banheira. Um raio poderoso apagou todas as luzes antes de um estrondo. Eles fizeram amor ali mesmo, no escuro, dentro d'água, ao som das trovoadas. Depois do ato, permaneceram lá abraçados, e saíram apenas quando a água começou a esfriar.
Randy emprestou uma blusa de sua última turnê com Ozzy e um short velho de tactel. Enquanto a chuva enfraquecia, Sadie e ele leram as revistas compradas na banca. Não trocaram nem um olhar neste intervalo. Os dois precisavam de um tempo para processar o acontecido. Randy então buscou uma lata de Coca-Cola para dividir. Ao entregar a lata nas mãos de Sadie, finalmente estabeleceram contato visual e se beijaram:
_ Eu fiz algo errado? Lá em cima? - ele perguntou.
_ Nada que você fizer comigo é errado Randall. - disse Sadie, largando as revistas para abraçá-lo.
_ Acho que agora, você é minha namorada. - Randy concluiu.
_ Pode ser... - ela brincou, beijando-o novamente.
Sadie olhou preocupada para o relógio, e Randy se levantou:
_ Durma aqui.
_ Minhas irmãs ficarão preocupadas.
_ Tente não pensar nelas, pelo menos por uma noite.
Subiram então para o quarto. A cama era macia e Sadie se sentiu confortável quando se sentou. Randy apanhou um segundo travesseiro para sua hóspede. Não resistiram em trocar mais amassos. Sadie se entregou, deixando que Randy a guiasse, amando seu corpo, e ela amando igualmente o dele.
Graféas

haha \o/ Até que enfim....
ResponderExcluir"nuâncias" kkkkkkkkkkkkkkkkkk LOL
meu vocabulário é rico U.U hehe
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