Pedras deixadas pelo caminho
(21/10/81)
(21/10/81)
Era tarde da noite e chovia em Los Angeles. O dia anterior foi repleto de surpresas. Ninguém imaginaria que Randy Rhoads tivesse interesse em visitar amigos da adolescência, e Sadie era a mais improvável. A caçula Valentina mais uma vez se hospedou no apartamento dela. Não podia ficar com Hope por questões de educação. Ela tinha o marido George, e a filhinha Theresa, de 2 anos de idade.
_ Sadie, está dormindo? - chamou a jovem, do colchão.
_ Não mais. - Sadie bocejou. - O que foi?
_ Vamos conversar.
_ Agora?
_ Quero falar sobre o Randy.
_ Quer saber o quê? - Sadie se virou para o lado correto.
_ O que vocês fizeram fora da loja? Não consegui ouvir...
_ Você não tinha que ouvir nada mocinha.
_ Por favor Sadie... - a curiosidade a mordiscava por dentro.
_ Randall me chamou pra sair.
_ Oh, então ele finalmente está afim de você?!
_ Boa noite Valentina.
Sadie conhecia Randy desde a época em que estudava, mas não eram exatamente amigos. Na realidade, quase não se falavam. Moravam no mesmo bairro, saíam com o mesmo grupo, e ela sempre dava um jeito de invadir clubes e bares para ver seus shows, quando ainda tinha uma banda chamada Quiet Riot. Após as graduações do ensino médio, Sadie tentou faculdade e Randy já era professor de guitarra na escola de música fundada por sua mãe Delores Rhoads.
Sadie não queria perder Randy, e foi sua aluna de violão até meados de 1979. Os dois terminaram por declarar os sentimentos que tinham um pelo outro, mas o tempo estava contra eles. Randy passava tempo demais ocupado com seus companheiros de banda. Perderam a esperança de ficar juntos quando Ozzy Osbourne o contratou. Ele não sabia quando voltaria, e se voltasse não teria tanta disponibilidade. Ao decorrer dos meses, o fogo que queimava de amor em seu coração foi se transformando em cinzas, entristecendo-a por completo. O volta do guitarrista produziu algumas faíscas que só o tempo revelaria as consequências.
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| esquerda/direta: Drew Forsyth;Randy Rhoads;Kevin DuBrow;Kelly Garni |
Horas se passaram e mais uma vez Hope abria a loja de discos. Depois de atenderem várias pessoas, Valentina chegou acompanhada dos pais. Ginna e Paul vieram dar uma inspecionada, verificar se Hope e Sadie tinham boas condições financeiras. O mínimo que poderiam fazer era saber se não estavam morrendo de fome ou definhando de miséria. Felizmente, estava "tudo bem". Tudo bem no tom mais seco que poderia sair da garganta de alguém. Eles nunca aprovaram o ofício que as primogênitas escolheram:
_ Vendedores são instáveis. - declarava o pai. - Podem perder tudo num piscar de olhos. Valentina, minha filha, você vai ser advogada.
_ Vendedores são instáveis. - declarava o pai. - Podem perder tudo num piscar de olhos. Valentina, minha filha, você vai ser advogada.
_ Papai, eu sei o que eu quero. - ela olhava preocupada para as irmãs.
_ Não faça, igual Sadie. Ela escolheu mal e desistiu. Hope pelo menos tem diploma de administração. - completava a mãe.
Sadie se sentiu muito mal pelas palavras proferidas. Para evitar atrito, ela pegou sua bolsa em silêncio, e entrou no banheiro. Quando reapareceu, seus pais já tinham ido embora há algum tempo. Estava maravilhosa, com um vestido rosa-salmão, delicado e decotado na medida certa. Não disse aonde ia porque não era preciso. Hope não gostava da ideia de ter Randy por perto. Quanto mais famoso ele se tornava, mais exposta ela ficaria.
O relógio da "Loud" marcou 8 e meia da noite quando Rhoads chegou. Ele usava blazer, calça social e sapatos novos. Algo que ele jamais compraria antes de se juntar a Ozzy. Enfim, os dois partiram no carro do próprio Randy. Ele dirigiu até um restaurante perto do lugar onde ele costumava morar. Entraram sorrateiros, mesmo que o estabelecimento não estivesse cheio. Pediram coca-cola e spaggeti:
_ Randall. - Sadie suspirou. - O que estamos fazendo aqui?
_ Tem algo errado?
_ Estamos no mesmo lugar, comendo o mesmo do último dia em que nos vimos.
_ Eu gostaria de me lembrar exatamente o que aconteceu.
_ Fácil. Eu disse que te amava e você: "eu vou embora amanhã".
_ Não foi assim. Eu falei que a turnê seria muito longa, e eu tenho que perguntar uma coisa. Há quanto tempo Sadie?
_ Desde sempre Randall. Eu fiz aulas de violão com você porque queria ficar por perto.
Sadie e Randy ficaram vários minutos em silêncio, até que o loiro se manifestou:
_ Então você fez as aulas de violão por 2 anos sem gostar de tocar músicas?
_ Não. Eu gostava de aprender.
_ Sério? - ele fez uma careta.
_ Juro.
_ Então, eu quero ouví-la tocar. Pode ser amanhã?
_ Isso é outro pedido de encontro? - ela riu.
_ Meio que isso. - balbuciou, envergonhado.
Randy deixou-a em casa. Os beijos de boa noite foram nas bochechas rosadas dele. O lugar marcado seria uma surpresa. Agora ele queria testar até que ponto eles poderiam dividir o sentimento de confiança. Eles falariam sobre música, e quem sabe, fazer algo a mais. Sadie mal podia acreditar no tanto que estava feliz. Era como se todas as cores ficassem de repente mais vivas. Quando achou que tinha se acostumado a ficar sem Randy, ele volta ainda mais próximo de se comprometer. Mais uma vez sua vida teria uma finalidade, uma motivação.
Graféas


Aa queria mais.....
ResponderExcluirAnsioso pra ver oq vai acontecer com a Sadie..!
*__*
ResponderExcluirThiagooooo
vc por aqui asuhahusauhsauh