Duas Chamadas
(18/11/1981)
Passaram-se três dias. Sadie não podia ligar pois ele não estava mais em Los Angeles. Ela acordava entristecida, porque não tinha notícias de Randy. Nem sua família sabia de seu estado, se a banda estava descansando em lugares apropriados e confortáveis, se a comida era boa, se os shows estavam esgotados e se havia diversão apesar dos problemas que poderiam surgir.
Um cheiro agradável no apartamento fez a sensação alvitante minguar. Era Johny na cozinha, revelando-se um ótimo chef. Ao escutar um enérgico "Café na mesa!", Sadie deixou seu quarto e deparou-se com um prato de ovos mexidos acompanhados de bacon e salada de maçã e banana para equilibrar a refeição. O hóspede se orgulhava do trabalho com os elogios que recebia:
_ Minha nossa, Johny! Onde você aprendeu a fazer uma comida tão boa?
_ Antes de me enxotar, vovó me ensinou umas coisas.
_ Ainda não entendo porquê ela te expulsou.
_ Ela é bem tradicional. Deve ser difícil ter um único neto homem... e diferente.
_ Você encara isso como se você fosse uma aberração. Perto de mim não precisa se preocupar.
De repente, batidas frenéticas ecoavam da porta da frente. Desavisado, Johny apressou-se para abrir. Era tarde demais para Sadie impedí-lo. Valentina irrompeu no cômodo principal como um tiro de revólver:
_ Ué?! Johny?
Em menos de cinco segundos, a menina decifrou a cena da forma que lhe foi mais óbvia e conveniente, para o azar de todos:
_ Sadie, o que ele está fazendo aqui? Oh, não... vocês dois...
_ Nós dois nada! - gritou Sadie. - Sou eu e só eu, ele e só ele.
_ É só até eu achar um lugar para morar. - manifestou-se Johny.
_ E ninguém me fala nada!
Sadie teve de explicar toda a história não só à caçula, mas também à Hope. Felizmente, não houve reclamações. A irmã mais velha também quis saber se ele tinha emprego, já pensando em contratá-lo como vendedor na "Loud":
_ Ele adoraria! - Sadie exclamou. - Mas ele não tem prática como vendedor.
_ O que ele anda fazendo?
_ Jonhy trabalha no petshop que fica algumas quadras do condomínio.
_ De qualquer modo, avise se ele tiver interesse.
Ainda antes da loja fechar receberam uma visita dos pais, que nada gostaram de saber que Sadie passou a dividir o apartamento com um rapaz desconhecido a eles. Perguntaram o quanto ela cobrava pela estadia do hóspede, com o dinheiro ela poderia ter uma "vidinha menos medíocre". A jovem desviou o olhar para qualquer direção que não fossem os olhares de seus familiares, e se dirigiu para a saída.
Uma sopa a estava esperando quando ultrapassou a porta. A primeira coisa que Jonhy notou foram as expressões aturdidas da amiga. Ela se sentou silenciosa, e apenas brincava com a colher, enquanto remexia os cabelos:
_ Sadie, seu prato vai esfriar.
_ Me desculpe, perdi a fome. Contei à minha família sobre você.
_ Eles desaprovaram, não é mesmo?
_ O apartamento é meu, nele mora quem eu quiser. - Sadie respirou fundo, encarando a sopa. Ela sabia que Johny ansiava por sua opinião. - Estou cansada da minha vida. Preciso dar um tempo daquela gente.
_ Ficar sem comer não vai adiantar muita coisa agora. - o argumento final a venceu.
Às 9 da noite, enquanto Sadie tomava uma ducha, o telefone soou. Johny, que arrumava seu colchão na sala de estar, desfez tudo ao prensar seus pés nos lençóis.
_ Alô!? - vocalizou, esperando alguns segundos antes da resposta.
_ Eu...err...Eu gostaria de falar com Sadie Bunker. - disse uma voz calma e despolida.
_ Ela está ocupada agora. - Johny respondeu, abstraído da identidade do telefonista. - Quer deixar recado?
_ Eu não posso demorar muito, estou ligando de longe.
_ Ela realmente não pode atender. - Jonhy não conseguia ver se Sadia havia saído do banheiro.
_ Obrigado, desculpe o incômodo. - despediu-se, com tom de desapontamento.
Quando Johny finalmente terminou de arrumar seu colchão, Sadie apareceu e ele lhe contou o ocorrido. Havia certa ironia em sua voz, já que não se deve ligar para alguém tarde da noite. Ao imitar a voz do estranho, a moça teve ainda mais certeza que era Randy tentando se comunicar de algum lugar da Europa. Ela se desesperou, mas não podia culpar Johny, totalmente por fora da situação.
No dia seguinte, Johny saiu cedo para trabalhar, e Sadie ainda estava em casa. Ao se arrumar para o serviço, ela se imaginou no lugar do distante namorado. O que Randy poderia ter pensado ao escutar não a sua, mas a voz de outro homem? A dúvida se instalou, "Ele deve achar que eu o traí".
Á tarde recebeu na 'Loud' uma visita surpresa de Kevin DuBrow. Ele tinha uma nova banda, e continuava tocando músicas da falida Quiet Riot nos bares e clubes da cidade. Percebia-se que nada havia mudado financeiramente. Dependia do cachê de cada apresentação para viver e pagar o aluguel. Ele veio por um espaço no mural de divulgação de eventos, na porta da loja, e também para matar a saudade de Sadie. Ela lhe contou sobre sua relação com Randy, e antes de sair Kevin deu a notícia de que o casamento com Jolie tinha que esperar por um momento mais apropriado. "O dia em que eu colocar a mão no bolso e encontrar umas notas sobrando".
Hope atendeu a um telefonema. Afobada, chamou:
_ Sadie! Uma tal de Sharon Arden quer falar com você!
_ Oh, meu Deus! - ela disparou, e agarrou o telefone.
_ Sadie? Está aí?
_ Estou bem aqui.
_ Bom, é o seguinte: Ontem Randy manifestou desejo de ter você conosco e hoje cedo não tocou mais no assunto. Depois ele contou que ligou para seu apartamento. O que houve?
_ Sharon, ocorreu um grande engano. Este cara está morando no meu apartamento porque foi expulso de casa. - Sadie terminou a sentença num sussurro.- Ele é gay.
_ Pobre Randy... está tristonho. - a voz da empresária era sincera.- Temos que resolver isso! Se achar conveniente, posso te colocar num voo para Londres dia 5 do próximo mês.
_ Eu aceito.
_ Ótimo! Ligarei mais vezes.
_ Não sei como agradecer, Sharon. Diga a Randall que eu o amo.
Mais uma vez, a vida de Sadie passaria por turbulências. Hope exigia saber quem era a senhoria Arden, o que ela queria, para onde sua irmã iria. A única coisa que Sadie tinha certeza era que ninguém a impediria de seus planos.
Ainda antes da loja fechar receberam uma visita dos pais, que nada gostaram de saber que Sadie passou a dividir o apartamento com um rapaz desconhecido a eles. Perguntaram o quanto ela cobrava pela estadia do hóspede, com o dinheiro ela poderia ter uma "vidinha menos medíocre". A jovem desviou o olhar para qualquer direção que não fossem os olhares de seus familiares, e se dirigiu para a saída.
Uma sopa a estava esperando quando ultrapassou a porta. A primeira coisa que Jonhy notou foram as expressões aturdidas da amiga. Ela se sentou silenciosa, e apenas brincava com a colher, enquanto remexia os cabelos:
_ Sadie, seu prato vai esfriar.
_ Me desculpe, perdi a fome. Contei à minha família sobre você.
_ Eles desaprovaram, não é mesmo?
_ O apartamento é meu, nele mora quem eu quiser. - Sadie respirou fundo, encarando a sopa. Ela sabia que Johny ansiava por sua opinião. - Estou cansada da minha vida. Preciso dar um tempo daquela gente.
_ Ficar sem comer não vai adiantar muita coisa agora. - o argumento final a venceu.
Às 9 da noite, enquanto Sadie tomava uma ducha, o telefone soou. Johny, que arrumava seu colchão na sala de estar, desfez tudo ao prensar seus pés nos lençóis.
_ Alô!? - vocalizou, esperando alguns segundos antes da resposta.
_ Eu...err...Eu gostaria de falar com Sadie Bunker. - disse uma voz calma e despolida.
_ Ela está ocupada agora. - Johny respondeu, abstraído da identidade do telefonista. - Quer deixar recado?
_ Eu não posso demorar muito, estou ligando de longe.
_ Ela realmente não pode atender. - Jonhy não conseguia ver se Sadia havia saído do banheiro.
_ Obrigado, desculpe o incômodo. - despediu-se, com tom de desapontamento.
Quando Johny finalmente terminou de arrumar seu colchão, Sadie apareceu e ele lhe contou o ocorrido. Havia certa ironia em sua voz, já que não se deve ligar para alguém tarde da noite. Ao imitar a voz do estranho, a moça teve ainda mais certeza que era Randy tentando se comunicar de algum lugar da Europa. Ela se desesperou, mas não podia culpar Johny, totalmente por fora da situação.
No dia seguinte, Johny saiu cedo para trabalhar, e Sadie ainda estava em casa. Ao se arrumar para o serviço, ela se imaginou no lugar do distante namorado. O que Randy poderia ter pensado ao escutar não a sua, mas a voz de outro homem? A dúvida se instalou, "Ele deve achar que eu o traí".
Á tarde recebeu na 'Loud' uma visita surpresa de Kevin DuBrow. Ele tinha uma nova banda, e continuava tocando músicas da falida Quiet Riot nos bares e clubes da cidade. Percebia-se que nada havia mudado financeiramente. Dependia do cachê de cada apresentação para viver e pagar o aluguel. Ele veio por um espaço no mural de divulgação de eventos, na porta da loja, e também para matar a saudade de Sadie. Ela lhe contou sobre sua relação com Randy, e antes de sair Kevin deu a notícia de que o casamento com Jolie tinha que esperar por um momento mais apropriado. "O dia em que eu colocar a mão no bolso e encontrar umas notas sobrando".
Hope atendeu a um telefonema. Afobada, chamou:
_ Sadie! Uma tal de Sharon Arden quer falar com você!
_ Oh, meu Deus! - ela disparou, e agarrou o telefone.
_ Sadie? Está aí?
_ Estou bem aqui.
_ Bom, é o seguinte: Ontem Randy manifestou desejo de ter você conosco e hoje cedo não tocou mais no assunto. Depois ele contou que ligou para seu apartamento. O que houve?
_ Sharon, ocorreu um grande engano. Este cara está morando no meu apartamento porque foi expulso de casa. - Sadie terminou a sentença num sussurro.- Ele é gay.
_ Pobre Randy... está tristonho. - a voz da empresária era sincera.- Temos que resolver isso! Se achar conveniente, posso te colocar num voo para Londres dia 5 do próximo mês.
_ Eu aceito.
_ Ótimo! Ligarei mais vezes.
_ Não sei como agradecer, Sharon. Diga a Randall que eu o amo.
Mais uma vez, a vida de Sadie passaria por turbulências. Hope exigia saber quem era a senhoria Arden, o que ela queria, para onde sua irmã iria. A única coisa que Sadie tinha certeza era que ninguém a impediria de seus planos.
Graféas


Hmm vai dar merda esse Johny ae
ResponderExcluirsinto que tem MUITA historia ainda pela frente
uahusahushua adoro o seu sexto sentido... por mais desregulado que ele seja xD
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