"Você está sempre por perto"
(06/1977)
Era apenas uma garota de 14 anos. Tinha maquiagem puxada, enchimento de papel e bota de salto para aumentar a idade. Usava uma calça preta colada e a blusa era uma bata vermelha bem longa. Era noite, e hora de sair para se divertir na cidade, assistir shows em clubes com os amigos. Apesar do veto da mãe, a regra paterna era clara: ela poderia fazer o que quisesse, desde que tirasse notas boas na escola.
De repente, uma menininha de camisola e pantufas aparece em um canto e desce as escadas da casa. Ela segurava uma boneca de pano e invadiu o banheiro onde a moçoila se arrumava:
_ Você não pode sair!
_ Valentina, vai dormir. - Sadie derrubou o blush.
_ A mamãe não gosta quando você sai de noite. - respondeu, aflita.
_ Mas o papai deixa. Agora, vá dormir.
_ Mamãe! - gritou.
Ginna Bunker atendeu ao chamado e surgiu diante das duas. Após relembrar o limite de horário, pegou Valentina pela mão e retornou ao andar superior da residência. Sadie aguardou alguns segundos antes de sair correndo para a porta. Com passos cautelosos ela se distanciava cada vez mais do seu quarteirão de origem. Um ruído de motor chamou sua atenção. Um veículo vinha se aproximando à frente.
Os faróis foram abaixados e a buzina do Fusca negro soou. Ansiosa, Sadie entrou no carro e sorriu:
_ Tome cuidado com os cabos e o baixo do Kelly. - avisou Drew Forsyth, antes de cumprimentá-la com educação.
_ Olá Drew e Kelly. - os dois se sentavam nos bancos da frente. - Onde está o kit de bateria?
_ No porta-malas.
_ Vocês a enfiaram lá como?
_ Calma, Sadie. O máximo que pode acontecer é quebrarmos o kit e perder o show de hoje. - Kelly Garni deu um soquinho no ombro do baterista, que fez uma careta.
A banda Quiet Riot não possuía equipe de som. Os próprios integrantes montavam e verificavam tudo sozinhos. Kelly, Drew e Sadie passaram pelos fundos do clube noturno e adentraram o pequeno palco, oculto por cortinas escuras. Lá finalmente se juntaram ao resto da turma: Kevin DuBrow, Randy Rhoads e a namorada dele, Jolie. O cantor foi o primeiro a aclamar a presença da convidada:
_ Sadie! - Kevin gritou, levantando-a. - Gostei do visual.
_ Obrigada. - respondeu, acenando para Jolie. - Onde está Randy?
_ Acho que... no carro!
A garota saltou para fora e logo avistou o velho GTO cinza. Porta-malas aberto, portas escancaradas, faróis acesos e um rapaz de cabeleira longa e muito lisa segurando um cigarro. Ele alisou uma parte dos cabelos atrás de uma orelha e puxou fumaça para dentro. Só aí Sadie se aproximou mais. Randy trajava uma combinação de colete rosa com bolinhas brancas, gravata borboleta e calça boca-de-sino da mesma cor de base.
_ Está precisando de algo? - ela perguntou baixinho.
_ Na verdade, sim. - Randy se levantou. - Tenho que levar minha guitarra e amplificador, mas tenho medo de deixar o carro sozinho e... - ele parou de falar.
_ Quer que eu leve alguma coisa?
_ Gentileza a sua. - disse, entregando cuidadosamente a caixa de sua guitarra Les Paul.
O guitarrista retirou o amplificador, trancou o carro e acompanhou-a:
_ Sabe, você está sempre por perto.
_ O que isso quer dizer, Randall?
_ Sendo a mais nova de todos, você poderia se interessar por outro tipo de gente.
_ Eu não poderia ter uma turma tão divertida como essa.
_ Hum. - ele murmurou, antes de sorrir.
Sadie estava relativamente surpresa naquele momento. Eram raras as vezes em que conversava com Randy abertamente. Ele costumava levar a relação professor-aluno muito a sério. Ensinava todas as quartas e sextas violão e guitarra acústica à menina. Além disso, a dupla era a mais quieta do grupo, embora Kevin despertasse um espírito brincalhão e piadista no loiro.
Jolie e Sadie escolheram um espaço próximo ao palco e assistiram ao show. Os quatro rockeiros deram tudo de si e divertiram a plateia. A bateria era presente e pulsante, o baixo preciso, a guitarra fascinante, o vocalista animadíssimo! Uma performance cativante. Ao final, aplausos vinham de todos os lados imagináveis. A banda agradeceu e sorriu debaixo do único holofote.
Depois da apresentação, as convidadas ajudaram os músicos sonhadores a guardar o equipamento.
_ Acho que minha roupa rasgou... - Drew exibiu uma coxa, comprovando a afirmativa.
_ Nós detonamos! Vamos sair e tomar umas cervejas! - berrou Kevin, sem camisa.
_ Eu topo! - disse Kelly.
_ Tenho que ir para casa. - Sadie se encolheu.
_ Eu também. - denunciou Jolie.
_ Fica para outro dia, estou exausto. - Randy enxugava o suor do rosto. - Vou levar as meninas e cair na cama.
Randy dirigiu com o rádio ligado, comentando que mal podia esperar para ter atenção das gravadoras, escutar as músicas do Quiet Riot pela cidade, ver seu álbum em todas as lojas, e outras 'zilhões' de coisas que toda banda esforçada merece. Randy investia seus sonhos e acreditava que eles teriam êxito. Randy Rhoads queria viver de música.
_ Obrigada. - respondeu, acenando para Jolie. - Onde está Randy?
_ Acho que... no carro!
_ Está precisando de algo? - ela perguntou baixinho.
_ Na verdade, sim. - Randy se levantou. - Tenho que levar minha guitarra e amplificador, mas tenho medo de deixar o carro sozinho e... - ele parou de falar.
_ Quer que eu leve alguma coisa?
_ Gentileza a sua. - disse, entregando cuidadosamente a caixa de sua guitarra Les Paul.
O guitarrista retirou o amplificador, trancou o carro e acompanhou-a:
_ Sabe, você está sempre por perto.
_ O que isso quer dizer, Randall?
_ Sendo a mais nova de todos, você poderia se interessar por outro tipo de gente.
_ Eu não poderia ter uma turma tão divertida como essa.
_ Hum. - ele murmurou, antes de sorrir.
Sadie estava relativamente surpresa naquele momento. Eram raras as vezes em que conversava com Randy abertamente. Ele costumava levar a relação professor-aluno muito a sério. Ensinava todas as quartas e sextas violão e guitarra acústica à menina. Além disso, a dupla era a mais quieta do grupo, embora Kevin despertasse um espírito brincalhão e piadista no loiro.
Jolie e Sadie escolheram um espaço próximo ao palco e assistiram ao show. Os quatro rockeiros deram tudo de si e divertiram a plateia. A bateria era presente e pulsante, o baixo preciso, a guitarra fascinante, o vocalista animadíssimo! Uma performance cativante. Ao final, aplausos vinham de todos os lados imagináveis. A banda agradeceu e sorriu debaixo do único holofote.
Depois da apresentação, as convidadas ajudaram os músicos sonhadores a guardar o equipamento.
_ Acho que minha roupa rasgou... - Drew exibiu uma coxa, comprovando a afirmativa.
_ Nós detonamos! Vamos sair e tomar umas cervejas! - berrou Kevin, sem camisa.
_ Eu topo! - disse Kelly.
_ Tenho que ir para casa. - Sadie se encolheu.
_ Eu também. - denunciou Jolie.
_ Fica para outro dia, estou exausto. - Randy enxugava o suor do rosto. - Vou levar as meninas e cair na cama.
Randy dirigiu com o rádio ligado, comentando que mal podia esperar para ter atenção das gravadoras, escutar as músicas do Quiet Riot pela cidade, ver seu álbum em todas as lojas, e outras 'zilhões' de coisas que toda banda esforçada merece. Randy investia seus sonhos e acreditava que eles teriam êxito. Randy Rhoads queria viver de música.
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| Kelly; Drew; Kevin; Randy |
Graféas


Tem que ser foda pra guardar o Kit no porta malas. kkkkkkk
ResponderExcluirhahaha valeu Thiago!
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