segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

My Michelle

Certamente, você já teve algum amigo ou primo que chega perto de você só para dizer o quanto a vida dele é uma merda. Na verdade, a vida dele é ótima. A vida de todos vocês que estão lendo isso agora é ótima. A sua mãe não faleceu, seu pai não trabalha com filmes de conteúdo 100% sexual. Eu sempre achei que a culpa era minha. Aos 16 anos, eu fazia qualquer tipo de coisa para me sustentar e alimentar meu vício em drogas. Mais tarde, por pressão de amigos, fiquei sóbria. A prostituição no meu caso, não era uma opção, mas sim uma necessidade. Eu tinha que viver! Da melhor e da pior forma possível. Muito prazer, meu nome é Michelle.

Em 1987, a banda Guns N' Roses escreveu essa música para mim, My Michelle. Agradeço a eles pela sinceridade. Principalmente a Axl Rose. Ás vezes eu escuto a canção para me lembrar de quem eu sou e porque a minha vida está progredindo dessa forma. Eu encontrei os rapazes de novo em 1992, Oklahoma. Duff, Slash e um cara novo, Matt, estavam bebendo e conversando alto. Se fossem dois meses antes eu nem pensaria em me aproximar:
_ Uma dose pra mim, por favor. - exclamei, esperando chamar atenção.

Enquanto virava o copo minúsculo, não ouvi mais Slash dar risada com seus acompanhantes. Ele havia percebido minha presença, mas  não foi me cumprimentar. Imaginei que estivesse observando as coisas no qual modifiquei: as roupas eram de marca, cabelos cor acajú. Não olhei de volta para confirmar meus pensamentos. O baixista Duff também parou de rir:
_ Slash?! Ta olhando para onde? - perguntou, se virando para mim - Não...não é possível.
_ Tem algo errado? - Matt indagou, aparentemente confuso.

Duff chamou uma garçonete bonita á mesa e cochichou algo no ouvido dela. Nós duas nos olhamos, e ela veio andando. Quando estava perto o bastante, falou que os rapazes estavam me convidando para sentar com eles. Sorri para o trio enquanto caminhava pacientemente em direção á respectiva mesa. O baterista, gentil, afastou uma cadeira para que eu pudesse me acomodar entre ele e o guitarrista dos cabelos encaracolados.

Estavam surpresos em me ver, após tanto tempo. Levou alguns minutos antes de eu puxar conversa:
_ Então, soube que a banda é um estouro em todo o mundo.
_ Sim! A viagem ao Japão no início do ano foi demais! - respondeu Matt - Há propósito como a senhorita se chama?
_ "Well, well, you just can't tell...my Michelle". - recitou Slash, virando meio copo de cerveja de uma vez, logo depois.
_ Você?? - surpreendeu-se o baterista.
_ Ela mesma. - respondeu Duff, com uma risadinha. - Por onde tem andado Michelle?
_ Fui morar com um senhor em Detroit. Proprietário de vinhedos no país.
_ Então porque você está nessa droga de bar? - Slash estava visivelmente estressado com minha presença. - Aliás, ele pode te dispensar por estar aqui.
_ Se ao menos ele pudesse. Ele morreu. - antes que pensassem que fiquei pobre, continuei. - Eu herdei tudo dele, mas ainda posso fazer o que bem entender.

Slash mexia a cabeça em sinal de desaprovação. Achei que ele ainda guardava alguma angústia em relação a mim, para justificar o comportamento. Já Duff se mostrava surpreso, e feliz em me ver. O baterista novo também era uma pessoa agradável, me convidou para assistir o show daquela noite escondida na beirada do palco. Logicamente, aceitei. Sentia saudades de Axl, e tinha outros caras novatos para conhecer.

Fomos guiados ao estádio por uma limosine. Lá dentro, percebi que Slash estava ainda  mais inquieto. Talvez eu tenha deixado-o um pouco excitado ao pousar uma de minhas mãos na coxa dele. Fiz por brincadeira, mas ele não encarou daquele jeito. Por sorte, os outros dois não perceberam.

Eles deram uma crendencial VIP na entrada do camarim, para que eu pudesse explorar a área sem ser incomodada. Ouvi um barulho estranho vindo do palco. Eram pessoas correndo para ficar na grade do estádio. Os portões mal abriram e a multidão já estava louca. Após perambular um pouco, encontrei outros dois membros da banda, que também não conhecia: Gilby, o segundo guitarrista e Dizzy, o tecladista. Certamente, muita coisa havia mudado. Sentia falta de Izzy Stradlin, ele havia escrito minha canção com Axl, e não me lembro de agradecê-lo.

Todos vocês deveriam ver a cara de Rose quando trombou comigo num corredor. Foi um momento impagável. Após um caloroso abraço, ele me ofereceu um cigarro e conversou comigo:
_ Por que diabos seu cabelo está 'roxo'?
_ Eu pintei oras... e eu não fumo mais, obrigada.
_ Ok. Você não é mais a mesma. Está andando com roupas boas.
_ Vocês também não são mais os mesmos. Axl, já parou para pensar na grana que vocês fazem?
_ Bom pra mim. - ele coçou o queixo -  Desde quando você arrumou um patrão pagando seus desejos luxuriosos?
_ Eu herdei uma fábrica de vinho de um velho que se importava com minha existência.
_ O quê?!
_ Ele se casou comigo e me ensinou a administrar aquela bosta toda. Ele faleceu há pouco tempo.
_ Michelle, você é inacreditável. Você o matou como? Na cama?
_ Axl...seu desbocado. - seduzida pela boa forma física do vocalista, encostei as palmas de minhas mãos no tórax dele - Enfim, depois do show eu gostaria de conversar mais com você. Se for da sua vontade, claro.
_ Você continua agindo como uma puta. - disse Axl, olhando em meus olhos.
_ E eu não tenho porquê me magoar com isso.

Bem, como vocês todos já perceberam, um coroa rico de Detroit não foi o bastante para me mudar. É a maldição que as ex-prostitutas levam consigo. Eu tentei ajeitar minha vida, e uma hora ou outra, aquilo iria acontecer. Sinceramente, era quase impossível resistir ao charme de Axl Rose. Ele estava no auge da beleza, e da sensualidade e fazia uso desses "poderes". Várias vezes eu liguei a televisão com notícias de pessoas que foram tirar satisfações com o vocalista e terminaram com o cu na mão. Ninguém poderia tirar Rose do topo.

 Todas as vezes que Axl fazia suas paradas rápidas no camarim, eu o provocava. Algo que não estava em meus planos aconteceu antes do meu ansiado encontro com o cantor. Quando a banda se retirou do palco para Matt Sorum executar seu solo de bateria, Slash me arrastou até um local onde não havia ninguém, nem mesmo funcionários. Ele arrastou suas mãos por todo meu corpo e tentou desabotoar minha blusa:
_ O que você pensa que está fazendo?
_ Algo que eu deveria ter feito antes.

Ele começou a me agarrar, e eu acabei cedendo. Um faxineiro então passou ao nosso lado e abriu uma porta para área de limpeza.  O pobre homem foi enxotado por Slash e nos trancamos naquele cubículo. Pena que foi tudo rápido demais. Ele tinha que voltar para o palco. Aquele episódio só me deixou com mais pressa de ver Axl Rose. Logo percebi que ele também não iria esperar até o final do show. O vocalista aguardou apenas o solo de guitarra de Slash para me chamar. Ficamos dentro de um quarto só dele no camarim. Foram minutos deliciosos ao lado dele também. Assisti ao show inteiro e parti sem me despedir de ninguém.

Antes que perguntem, não. Não tenho orgulho das minhas ações naquela noite. Porém, não posso voltar atrás e nem virar uma santa de um dia para o outro. Não consigo evitar de ser assim, fácil. Pelo menos sei que duas pessoas uma vez importantes na minha vida jamais esquecerão de mim e nem eu deles. Ainda procuro o paradeiro de Izzy. Tenho que agradecê-lo pessoalmente também. Da mesma forma que fiz com meus queridos Slash e Axl Rose.


esquerda para direita: Duff,Gilby,Axl,Slash,Dizzy e Matt
Graféas

4 comentários:

  1. legal MIZ!!!!! gostei mto

    imagina o slash flando::"Well, well, you just can't tell...my Michelle".asuhaushasuh

    MY MICHELLE!

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  2. Eu AMEI, Miz!
    A Michelle era uma bitch, mas pelo menos não era fingida, rsrs.
    Gostei da história dela, será que ela encontrou o Izzy e o agradeceu?rsrsrs

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  3. vou deixar esse comentário mal educado em cima porque eu respeito a opinião dos outros...
    apesar disso ser trollagem.

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um abraço...