_ Sabe como é Steve, diversão não tem hora. - Paul Di'anno respondeu, sem graça, ao telefone.
_ Tem hora sim. Iron Maiden não é uma brincadeira. Temos nosso primeiro álbum rodando.
_ Ok, você venceu. Vou tentar causar menos confusão, vou tentar!
O baixista não engolia aquilo. Di'anno não era capaz de ficar sóbrio nem por uma semana. Ele queria continuar falando, na espera de uma faísca de esperança na consciência do rebelde vocalista. Era incrível a capacidade que ele tinha de se desligar da conversa:
_ Paul ? Está prestando atenção?
_ Desculpe cara. Eu juro que estou ouvindo um barulho na minha porta.
_ Ligo outra hora.
Num salto Di'anno atravessou sua humilde casa, até a porta da frente. Ele não morava em um bairro bom de Londres. Qualquer acontecimento ali era tratado com indiferença. Porém, pelo menos do ponto de vista de Paul, escutar grunhidos e outros sons de uma caixa deixada à sua porta não era uma situação tão normal.
Era um bebê. Um ser humano indefeso, careca, sem dentes, com estoque infinito de baba. A caixa era grande, retangular, e aberta. Ele simplesmente se mexia lá dentro, gemendo inconformado.
Paul observava o pequeno como se fosse um alienígena. O que ele iria fazer? Por que logo em sua casa? De todo jeito, a única certeza era que ele iria se encrencar de novo. Deu alguns passos para fora, e a rua estava deserta. "Pelo menos ninguém vai ver esta cena", pensou. Com uma vassoura, ele puxou a caixa para dentro de casa. No mesmo momento a criança começa a chorar.
No desespero, ele agarrou o telefone e ligou para o baterista de sua banda, Clive Burr. Ele não tinha a mínima noção do que fazer com um bebê, ainda mais quando este está berrando:
_ Alô?
_ Clive ! Clive, que bom que atendeu.
_ Paul, o que você quer? - disse ele pausadamente. - e que droga de barulho é esse?
_ É um bebê cara, deixaram na minha porta.
_ Como assim um bebê? - Clive gargalhava.
_ Ele está dentro de uma caixa, e não pára de chorar. - Di'anno deu um pigarro alto, sem resultados. - Pare de rir, eu não sei o que fazer!
_ Primeiro, tire-o de dentro da caixa. Depois, veja se ele se cagou. Bebês choram ou porque estão com fome ou porque sujaram a fralda. - Clive ainda não conseguia segurar os risos.
_ Ok, vou fazer isso.
_ Não posso te ajudar mais que isso campeão. Saiba que vou te lembrar disso pelo resto da vida, adeus.
_ Muito engraçado.
Paul Di'anno levantou o pequenino pelos braços, que continuava a chorar. Sentiu um mal cheiro, e levou a criança ao seu banheiro. Como ele tinha de se virar, achou mais fácil dar banho no bebê como se ele fosse um cachorro. Em horas como essa é que o instinto se faz presente, mesmo com um pouco de repulsa. "Situação embaraçosa", murmurava o cantor, e pelo menos, o choro tinha cessado.Ele precisava de alguém para comprar fraldas e comida para bebês. Se tinha uma coisa que ele havia aprendido na vida era não deixar crianças sozinhas em casa, não importa o tamanho, sempre dava algo errado quando a mãe ficava fora.
Mais uma vez, ele pega o telefone. Dessa vez intencionado a falar com um dos dois guitarristas do Iron Maiden, Dave Murray:
_ Dave! Olá.
_ Se for algo relacionado a um b...
_ Clive já espalhou é?
_ Sim.
_ Droga. - disse Paul, vigiando o visitante, que estava deitado em um dos tapetes do banheiro.
_ Olha, eu tenho irmãos. Sei como isso deve ser barra pesada. Quer que eu faça algo?
_ Na verdade eu estou precisando de fraldas e algo que possa vesti-lo.
_ Ele ou ela? - perguntou Dave.
_ É ele, definitivamente. - Di'anno se sentiu aliviado por ter ajuda.- Dave, por que não traz Adrian com você?
_ De jeito nenhum Paul. Ele mal se juntou à banda, ele não merece isso. Bem, chego aí num instante.
Dave Murray era como um super herói. Logo que o sol não irradiava mais nenhuma luz no céu londrino, o salvador da pátria chega á casa de Paul. Nunca ele imaginaria que Murray sabia lidar com bebês. Ele ainda tinha passado na casa da mãe para fazer perguntas rápidas. "Só fiz isso porque não quero o nome da banda envolvida em nenhuma acusação. Se acharem o moleque em boas condições não vão encher o saco nunca mais", explicava Dave.
Enquanto Paul se virava para alimentar o pequeno 'intruso', Dave ligou o rádio e mudava de estações freneticamente, até que parou de funcionar. As pilhas se esgotaram. Suspirando alto, foi em direção à televisão e a ligou. Ficou exatamente cinco minutos ocupado com as antenas, até que finalmente encontrou o canal policial. Uma mulher tinha sido presa. Tabloides e repórteres explicavam tudo.
Literalmente, história de novela. Duas mulheres eram amigas, uma se casou antes da outra, teve um filho, e tomada pela inveja sequestrou a pobre criança. Acharam a culpada mas não o menino. Paul Di'anno estava quase berrando que tudo combinava com o caso dele. Dave pediu um momento, até mostraram uma foto e mais alguma coisa que facilitasse a indentificação. O bebê tinha três dentes nascendo, alguns fios avermelhados de cabelo e seu nome era Alek.
Com pouco cuidado, Di'anno abriu a boca da criança e contou exatamente três dentinhos:
_ Dave! É ele! Eu sei! É o mesmo da fotografia.
_ Não tenho certeza ainda.
_ Não?!
_ A caixa onde você o achou, onde está? Deve ter algo com o nome por ali.
_ Cara, fala sério. - Paul pisou forte até a caixa e sacudiu-a. - Tem uma chupeta encardida aqui.
No objeto encontrado havia escrito "A...". Não tinha mais como duvidar que o bebê encontrado por Di'anno era o tal Alek. Ele não queria chamar a polícia porque os oficiais não gostavam dele. Dave achava tudo aquilo uma frescura, porém não queria o nome dele em nenhum jornal por causa de um bebê babão perdido.
Mesmo com objeção de Dave, sobrou mesmo para o mais novo membro da banda, Adrian Smith. Paul abreviou todo o episódio, e implorou para que ele tomasse Alek nos braços, fosse até uma estação policial. Foi dito e feito. Infelizmente, um reporter o esperava na saída, surpreendendo o tímido Adrian. De acordo com o combinado, o segundo guitarrista recitou a versão criada por Paul:
_ Bem eu ... eu encontrei o menino dentro da caixa e, um amigo meu veio e me ajudou.
_ Qual o nome do seu amigo, para que Londres se sinta grata a ele também? - perguntou o repórter.
_ Ele se chama Steve. Steve Harris.
| Da esquerda para direita; Dave Murray-Clive Burr-Paul Di'anno-Steve Harris-Adrian Smith |
Graféas
Parabéns, por todos os seus textos! São maravilhosos, de verdade. Continue sempre a escrever :3
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